Entrada do Palácio da Polícia é transformada em carceragem, nesta quarta (11)

“Quem passasse na frente do Palácio da Polícia nessa manhã, poderia achar que estava ocorrendo uma cerimônia de entrega de viaturas policiais. Vários carros, câmeras de televisão, imprensa em peso, autoridades falando aos microfones e muitos policiais. Porém, se chegasse mais próximo entenderia que a realidade era outra. Em cada viatura, presos aguardavam algemados, esperando uma vaga na carceragem da 2ª DPPA, escoltados, cada uma, por pelo menos dois policiais militares. Eram seis viaturas da Brigada Militar.”

O texto acima é de 26 de outubro de 2016, publicado no site da Ugeirm. Ele poderia ser repetido nesta quarta-feira (11), quase dois anos depois. Até o número de viaturas é o mesmo, seis. Junto com as viaturas, mais de dez policiais militares fazem a custódia dos presos.

Uma coisa que não se pode reclamar do governo Sartori/MDB, é a coerência da sua política. Nesses quatro anos, ele não fugiu um centímetro da sua prática desde o início do mandato. Por exemplo, sabemos que no final do mês anunciaremos mais um atraso de salários. Outra notícia recorrente é a presença de presos na frente das delegacias e lotando as suas carceragens, colocando em risco a vida dos policiais e da população.

Apesar da recorrência, situação não pode ser naturalizada

Porém, mesmo com essa situação se repetindo, a sociedade não pode tratar isso como algo comum. Não é e precisa ser denunciado e combatido. A presença de presos na frente do Palácio da Polícia, em uma via de grande trânsito como a Avenida Ipiranga, é um risco para toda população. E se um desses presos pertencer a uma facção criminosa e essa tentar um resgate? Assistiremos um tiroteio em plena Ipiranga? Para quem duvida dessa possibilidade, basta olhar o noticiário dessa semana. Um traficante, com condenação por homicídio, foi resgatado por comparsas, nesta segunda (9), em pleno Hospital Sanatório Partenon, na rua Bento Gonçalves, quando era escoltado por uma equipe da SUSEPE. O Palácio da Polícia é um local de registro de ocorrências e a cela fica a menos de dez metros do balcão de atendimento. Os policiais estão em constante risco. Em outras ocasiões, já ocorreram tentativas de rebelião dos presos, amontoados em celas superlotadas.

Será que o governo Sartori/MDB está aguardando que aconteça uma tragédia, para tomar alguma providência? Nesse caso, poderíamos recuperar a mesma matéria que registrou a fuga que acabou com um policial baleado no DEIC, em julho de 2017, para nos poupar o desprazer de ouvir o pronunciamentos das autoridades lamentando o ocorrido.