A tragédia aconteceu: Policial Civil é baleado em tentativa de fuga no DEIC

O que a UGEIRM vinha anunciando há algum tempo, infelizmente aconteceu. Uma tentativa de fuga da carceragem superlotada do DEIC, deixou um colega baleado, com um tiro na panturrilha. As primeiras informações, dão conta de que um grupo de presos fugiu da cela cerrando as grades, por volta das 15h45, rendeu o agente Marcos Plates, utilizando da sua própria arma para dar um tiro em sua perna. O colega foi removido para o Hospital e, felizmente, passa bem.

Viatura também foi baleada durante a fuga

Após a fuga, outros departamentos da Polícia Civil e a Brigada Militar foram acionados para recapturar os presos. Um veículo com quatro bandidos foi perseguido na Avenida Ipiranga, vindo a bater em um poste. Os quatro ocupantes eram presos que tinham fugido do DEIC e foram recapturados. Um quinto fugitivo ainda não foi encontrado. Uma contagem dos presos verificou que, no momento da fuga, haviam, pelo menos, 14 presos nas carceragens do DEIC.

José Ivo Sartori e Cezar Schirmer, os nomes dos responsáveis pelo ocorrido

Bater na tecla de que o governo já tinha sido avisado há muito tempo, se torna repetitivo. Mas é necessário ficar bem claro de quem é a responsabilidade pelo tiro que atingiu o colega na tarde deste sábado. Os responsáveis são o governador do estado, o secretário de segurança e todas as autoridades da cadeia de comando da segurança pública do estado. A situação das carceragens vem sendo denunciada pela UGEIRM desde 2015. Nada foi feito, ou pior, foi feito e piorou a situação. Soluções mágicas como o trágico Trovão Azul, ou as Casas de Custódias, que nunca saem do papel, são apenas algumas soluções apresentadas pelo governo.

O que aconteceu neste sábado não surpreendeu ninguém. O surpreendente mesmo, é como isso não aconteceu antes. Celas onde cabem, no máximo, seis presos durante 24 horas, abrigar o triplo de presos, por vezes, durante 30 dias, é um convite para a tentativa de fuga. E qualquer pessoa, com o mínimo de bom senso, sabe que um preso em fuga vai fazer qualquer coisa para conseguir seu objetivo, inclusive matar quem tentar impedir.

As delegacias não possuem nenhuma condição para abrigar presos. Não têm banheiros, não têm assistência médica, não têm a segurança necessária e, principalmente, os Policiais Civis não são treinados para trabalharem de carcereiros.

Judiciário e Legislativo lavam as mãos

Além da irresponsabilidade do Executivo, é lamentável a postura dos outros poderes. O Judiciário, que deveria garantir o cumprimento da lei, se omite. Existem decisões judiciais determinando que o governo esvazie as carceragens das delegacias, no entanto, o STF, através da sua presidenta Ministra Carmen Lúcia, retirou a cobrança de multa, deixando o governo livre para não cumprir a decisão judicial. Quando um policial for morto por um preso, esperamos que a Ministra não se pronuncie lamentando o ocorrido, pois a sua decisão também será responsável por essa morte.

Por outro lado, o Legislativo, com raríssimas exceções, fecha os olhos para  situação, como se não lhe dissesse respeito. Essa situação e o descumprimento das decisões judiciais, poderiam ser objeto de um pedido de impeachment. Porém, um parlamento que se apequena perante o Executivo, nunca vai ter coragem de tomar tal atitude, o que é lamentável.

Chega de notas de pesar ou lamentações, queremos atitudes imediatas

A sociedade gaúcha exige providências imediatas. O que aconteceu hoje já é um absurdo, mas poderia ter sido muito pior. Temos que agradecer pelo colega não ter sido morto e, também, por nenhum cidadão ter sido atingido. Uma tentativa de fuga como essa poderia ter um fim mais trágico ainda, com a perda da vida de alguém que estivesse lá para ser atendido. O presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, que está no DEIC, avisa: “vamos cobrar do governo uma atitude imediata. Vamos exigir que o governo acabe com essa situação de uma vez por todas. Não podemos mais admitir fatos como esse. Um colega ser baleado dentro do DEIC por presos em fuga, é o fim da linha para a segurança pública no nosso estado. Se dentro do DEIC não temos mais segurança para trabalhar, o que mais falta? Na próxima terça-feira vamos reunir o Conselho de Representantes da UGEIRM e tirar uma posição firme sobre essa situação. Não vamos esperar que um colega seja morto dentro de uma delegacia para tomarmos uma atitude. Se o governo não está preocupado com  vida dos policiais, nós que estamos juntos no combate à criminalidade, temos que nos unir para proteger nossas vidas. Esse deveria ser o papel do estado, mas quem está ocupando o Palácio Piratini está mais preocupado com a sua reeleição do que com a vida de quem se arrisca para garantir a segurança dos gaúchos. De uma vez por todas, não podemos contar com esse governo”.