Aumento da violência e baixo efetivo resultam em maior risco para os policiais

Gravataí, cidade da região metropolitana de Porto Alegre, vive uma verdadeira explosão no número de homicídios em 2017. Aliás, os índices vêm crescendo desde 2015 e, nesse ano, já alcança números alarmantes. Neste ano já são 84 assassinatos (sete somente nos últimos três dias), isso significa 20 mortes a mais do que no mesmo período do ano passado. Os policiais da região apontam dois motivos como os principais responsáveis: a defasagem no efetivo policial e a guerra do tráfico de drogas.

Na sexta-feira (23), o policial civil Rodrigo Wilsen foi assassinado durante uma operação de combate ao tráfico em Gravataí. Como quase todas as ocorrências na área da segurança pública, a morte de Rodrigo não aconteceu em Gravataí por coincidência. A mistura de uma guerra do tráfico com uma grande defasagem no número de policiais, são fatores que aumentam de forma exponencial o risco da atividade policial.

É lógico que esse não é o único fator para a morte de Rodrigo Wilsen, fatores como a própria fatalidade devem ser considerados. Porém, não podemos fechar os olhos para a realidade alarmante de Gravataí e de várias cidades do Rio Grande do Sul. A falta de efetivo é resultado de uma política do governo estadual, que privilegia as finanças do estado em detrimento dos serviços públicos. Desde que assumiu, Sartori/PMDB escolheu os servidores públicos como responsáveis pela crise econômica do RS. O preço está sendo pago agora.

Além do adiamento da convocação de policiais, que deveriam ter sido chamados no início do seu governo e só foram convocados um ano e meio depois, esse governo não conseguiu realizar um único concurso para repor o efetivo da Polícia Civil e da Brigada Militar. Essa falta de reposição, combinada com a crise nas carceragens das delegacias, que retira uma quantidade considerável de policiais do patrulhamento cotidiano e policiais civis das atividades de investigação, causa uma defasagem de mais de 50% no efetivo policial em Gravataí. Para se ter uma ideia da defasagem, a cidade possui 1 policial para cerca de 1000 habitantes, sendo que a média nacional é de 1 policial para cada 470 habitantes.

Em várias cidades pelo interior do estado, a realidade também é muito preocupante. Cidades com apenas 1 policial é comum. Essa realidade é um convite para o acontecimento de uma tragédia, como a que ocorreu com Rodrigo Wilsen em Gravataí.

O presidente da UGEIRM, Isaac ortiz, destaca que “ser policial já é um situação de risco, quando se reduz o efetivo da forma como foi feito no nosso estado, a atividade policial se torna mais arriscada ainda. Já no início do governo Sartori/PMDB, a UGEIRM alertava que a política implementada era um política homicida. Agora vemos a extensão dos erros do governo. Ter um efetivo de 1 policial para cada 1000 habitantes, em um município como Gravataí, é entregar a cidade para a criminalidade. Infelizmente, as principais vítimas dessa irresponsabilidade ssão os moradores de Gravataí e os policiais que tentam, a todo custo, manter a população em segurança”.