Com 316 óbitos, Brasil registra recorde mundial de mortes de enfermeiras (os)

O levantamento é do Observatório da Enfermagem, o instrumento criado pelo Cofen, o Conselho Federal de Enfermagem

Ayrton Centeno Brasil de Fato | Porto Alegre | 27 de Julho de 2020

Na linha de frente da batalha, 316 enfermeiras e enfermeiros já perderam a vida lutando contra a covid-19. O levantamento é do Observatório da Enfermagem, o instrumento criado pelo Cofen, o Conselho Federal de Enfermagem, para avaliar o tamanho do desastre sofrido pela profissão no Brasil. Sessenta e quatro por cento das vítimas são mulheres, maioria no ofício. A maior parte dos óbitos ocorreu na região Sudeste (35,4%), seguida pelo Nordeste (27,2%) e o Norte (21,5%).

O Cofen observa que sua contagem relaciona profissionais de enfermagem em geral, o que abarca enfermeiras (os), técnicos e auxiliares. Sozinho, o Brasil responde por 30% das mortes de enfermeiras (os) no planeta. A organização mundial que reúne os conselhos nacionais, o Internacional Council of Nurses (ICN), confirma a situação.

1,1 milhão de infectados

“Com a última atualização de junho, sabemos que o Brasil teve o maior número de mortes de enfermeiras”, confirma, por email, a assessora política Hoi Shan Fokeladeh, do ICN. “De acordo com nossa investigação, 7% de todas as pessoas infectadas no mundo são trabalhadores da saúde”, comenta a assessora. Como há mais de 16 milhões de contaminados no planeta, cerca de 1,1 milhão seriam profissionais de saúde. 

Mais mortes entre os 41 e 50 anos

Levando-se em conta a idade, a faixa etária mais afetada no Brasil é aquela localizada entre 41 e 50 anos, onde houve 96 óbitos. O segundo contingente mais atingido, entre 51 e 60 anos, registra 86 perdas. Chama a atenção que uma faixa de adultos ainda jovens – entre 31 e 40 anos – acusa 61 mortes. 

Entre os estados, São Paulo com 52 óbitos e o Rio de Janeiro com 45 tinham, nesta segunda-feira, dia 27, a pior situação. A seguir, Pernambuco (29), Amapá (19) e Mato Grosso e Amazonas, ambos com 18 perdas. 

Quase 30 mil contaminados

Seguindo-se o monitoramento do Observatório de Enfermagem, 29.609 enfermeiros, técnicos e auxiliares contraíram a covid-19. Deste total, 12.994 estavam em quarentena e 200 internados. São Paulo também lidera aqui com 4.915 profissionais de enfermagem infectados desde março. Segue-se o Rio de Janeiro com 4.239, mais a Bahia com 3.428. Vale atentar para o avanço da covid-19 entre as (os) enfermeiras (os) no Sul do país. O quarto estado com mais casos é o Rio Grande do Sul (1.993) e o quinto, Santa Catarina, com 1.708.  

Apesar do patamar de 2,4 mortes a cada 24 horas, o Cofen notou uma queda nos óbitos dos profissionais do setor durante julho na maior parte do país. A melhoria estaria relacionada “à maior disponibilidade de EPIs (equipamentos de proteção), à capacitação dos profissionais para usá-los e ao afastamento dos que integram o grupo de risco”. 

Na contramão da tendência, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso assinalaram um aumento de 100% no número de mortes em relação a junho.

Edição: Katia Marko