Conselho de representantes decide por paralisação, Indicativo de Greve e Marcha da Polícia Civil

Em reunião realizada nesta terça-feira (06), na sede da UGEIRM, o Conselho de Representantes da entidade debateu a situação atual da Polícia Civil e tomou importantes deliberações para responder ao grave momento por que passa a categoria. Entre as principais decisões tomadas, está a realização de uma paralisação no dia 30 de agosto, quando deveria ser pago os salários do mês, um indicativo de Greve a ser discutido com a categoria e a organização de uma grande Marcha dos Policiais Civis até o Palácio Piratini, no dia 17 de setembro, para protestar contra a Insegurança da População, a morte de policiais, o atraso de salários e o possível aumento da alíquota de contribuição para a Previdência.

Regiões relatam situação de profundo desgaste da categoria

A reunião começou com um relato do Presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, fazendo uma séria crítica ao aprofundamento dos atrasos de salários, que chegaram ao ponto do encontro das Folhas de Pagamento nesse mês de julho, ao encaminhamento da reforma da Previdência estadual pelo governo Eduardo Leite, que prevê o aumento da alíquota de contribuição dos servidores estaduais para 22% e ao grave déficit de pessoal por que passa a Polícia Civil gaúcha. O presidente da UGEIRM ressaltou que a categoria não pode ficar calada frente a esses sérios ataques. De acordo com Isaac Ortiz, é necessária uma grande mobilização da Polícia Civil, para enfrentar um segundo semestre que promete ser ainda mais difícil para a categoria.

Após a fala do presidente do sindicato, passou-se para o relato das diversas regiões presentes na reunião. O tom foi o mesmo, com intervenções que demonstram um profundo desgaste da categoria, que se encontra no limite das suas forças. O aprofundamento do atraso de salários, a morte de colegas em serviço, o grave déficit de pessoal, que tem exigido que os (as) Policiais trabalhem por dois, e a demora na publicação das Promoções, com a perspectiva da não inclusão dos (as) Policiais em estágio probatório, tem levado a categoria a um profundo desgaste. Em todos os relatos, também foi demonstrada uma grande preocupação com as notícias que relatam os ataques programados pelo governo Eduardo Leite, como o aumento da alíquota de contribuição para a Previdência, que representará uma redução salarial para os policiais, tanto da ativa quanto aposentados.

Paralisação, Indicativo de Greve e Marcha de Protesto

Frente a grave situação relatada, tanto pela direção do sindicato, como pelos (as) policiais de todas as regiões e departamentos, o Conselho de Representantes da UGEIRM decidiu intensificar a mobilização da categoria para responder aos ataques programados para esse segundo semestre. Segue abaixo, as deliberações do Conselho de Representantes.

Participação em Operações Policiais – O Conselho de Representantes orienta os (as) Policiais Civis a não participarem de Operações Policiais fora do horário de expediente, enquanto não estiverem com seus salários integralizados. Também foi deliberado que todas as regiões e departamentos realizem reuniões para discutir a forma como tem se dado a realização das Operações Policiais, com propostas de alteração nos atuais procedimentos, seguindo o exemplo das reuniões que já foram realizadas, por exemplo, na Região Metropolitana e em Santa Maria. A reunião deliberou, também, que seja exigida a participação paritária dos Agentes na Comissão que discutirá a elaboração de um novo protocolo para a realização de Operações Policiais. Dentro desse protocolo, os Agentes defendem que, em todas as Operações, esteja prevista a participação efetiva dos Delegados de Polícia.

Paralisação no dia 30 de agosto – A reunião deliberou, por unanimidade, realizar uma Paralisação da Polícia Civil no dia 30 de agosto, quando deveria ser pago o salário do mês de agosto. As orientações sobre a paralisação, serão enviadas e divulgadas pela UGEIRM futuramente.

Indicativo de Greve – O Conselho de Representantes decidiu por um Indicativo de Greve a ser discutido com a categoria.

Marcha da Polícia Civil – Para dar resposta aos graves ataques sofridos pelos Policiais Civis e chamar a atenção da população para a grave situação da instituição, o Conselho de Representantes da UGEIRM deliberou pela realização de uma grande Marcha da Polícia Civil, no dia 17 de setembro. A Marcha seguirá até o Palácio Piratini e terá como eixos principais o protesto contra a Insegurança que atinge a população gaúcha, a morte de policiais em serviço, o atraso dos salários dos (as) e o aumento da alíquota da Previdência com redução dos salários.

Coletes e munições vencidas – Cumprimento da decisão judicial que determina que a participação dos (as) Policiais Civis em Operações e Diligências somente seja realizada com coletes especiais à prova de balas, com prazo de validade não expirado. Em relação às munições vencidas, o sindicato irá cobrar do governo do estado, a reposição das munições com prazo de validade vencidos e a não utilização dessas munições fora do prazo de validade.

Presos em Delegacias – O Conselho de Representantes exige que seja dada, de uma vez por todas, uma solução definitiva para a permanência de presos nas delegacias e viaturas. Esse é um problema que se arrasta desde 2015 e coloca, cotidianamente, a vida dos (as) policiais civis em risco