Covid-19: Anvisa aprova uso da vacina CoronaVac em crianças de 3 a 5 anos

Imunizante produzido no Brasil pelo Instituto Butantan foi aprovado por unanimidade pelo órgão

Por Sul 21 | sul21@sul21.com.br

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou por unanimidade o uso emergencial da vacina CoronaVac em crianças de 3 a 5 anos de idade. A decisão ocorreu nessa quarta-feira (13) durante reunião extraordinária do órgão. No Brasil, o imunizante é fabricado pelo Instituto Butantan e já está sendo aplicado em crianças a partir de 6 anos.

A agência seguiu recomendação das áreas técnicas e autorizou a imunização com duas doses da vacina, no intervalo de 28 dias. A aprovação vale somente para crianças que não são imunocomprometidas. O início da utilização do imunizante nas crianças da faixa etária entre 3 e 5 anos depende agora do Ministério da Saúde.

“Vacinar crianças de 3 a 5 anos contra a covid-19 pode ajudar a evitar que elas fiquem gravemente doentes se contraírem o novo coronavírus”, afirmou Meiruze Souza Freitas, relatora do pedido de análise realizado pelo Butantan. A diretora destacou que a CoronaVac está aprovada em 56 países pela Organização Mundial da Saúde (OMS), teve cerca de um bilhão de doses aplicadas e tem contribuído para reduzir mortes e hospitalizações.

Estudos

Durante a reunião, os diretores da Anvisa apresentaram dados de eficácia de estudos realizados no Brasil e no exterior. As pesquisas foram realizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Instituto Butantan, além de entidades internacionais. Também foram levados em conta pareceres de sociedades médicas e das áreas de farmacovigilância e de avaliação de produtos biológicos da Anvisa.

Um dos estudos clínicos, feito no Chile, apresentou resultados que comprovaram que a vacina é segura e eficaz, com resposta de anticorpos e de células de memória contra as variantes Delta e Ômicron do novo coronavírus. A pesquisa mostrou efetividade de 55% da CoronaVac contra a hospitalização de crianças que testam positivo para a covid-19. Além disso, as crianças que participaram dos estudos apresentaram maior número de anticorpos e menos reações à vacina em relação aos adultos.

Também foram apresentados os dados preliminares do “Projeto Curumin”, realizado pelo estado do Espírito Santo (ES), com crianças a partir de 3 anos que receberam 2 doses de CoronaVac, com intervalo de 28 dias. O estudo indicou a eficácia da vacina de 64% para prevenir hospitalização e de 69% contra casos graves que demandem internação em UTI.

O estudo realizado pelo “Projeto Curumin” foi do tipo não inferioridade. Isso significa que os pesquisadores investigaram se a resposta das crianças vacinadas com a CoronaVac não seria inferior à outra vacina já aprovada, além de outras faixas etárias. Os eventos adversos foram considerados leves, sem maiores gravidados após 90 dias da aplicação da dose. Nenhum evento mais sério foi constatado.

O estudo também mostrou que o total de crianças de 3 e 4 anos que tiveram resposta imunológica não foi inferior ao que é já é constatado em crianças a partir dos 5 anos. Os títulos de anticorpos foram inclusive maiores nas crianças de 3 e 4 anos do que naquelas entre 5 e 9 anos, sendo até quatro vezes superior se comparado com pessoas acima de 50 anos.

No Brasil, outros dados revelaram que as reações graves após a imunização foram consideradas raras e raríssimas. A conclusão foi obtida após análise de 103 milhões de doses aplicadas no país.

Com informações da Agência Brasil