Cpers cobra antecipação de negociação e faz ‘pedágio solidário’ para ajudar alimentação de quem teve salário cortado

Da Redação

Em vídeo publicado nas redes sociais do Centro dos Professores do Estados do Rio Grande do Sul (Cpers), a presidente Helenir Schurer Aguiar afirma que representantes do sindicato estiveram no Palácio Piratini na tarde desta quinta-feira (2) para tentar uma reunião com o secretário-chefe da Casa Civil, Otomar Vivian. O sindicato quer que o governo antecipe a negociação com a categoria agendada para o dia 10 que tem por objetivo discutir o pagamento dos dias parados pela greve iniciada em novembro e o calendário de recuperação das aulas perdidas.PUBLICIDADE

Em assembleia realizada no dia 20, professores e funcionários de escola decidiram manter a greve, mas encaminharam a possibilidade de suspendê-la até o restante dos projetos do pacote de reforma administrativa do governo Eduardo Leite (PSDB) serem votados na Assembleia Legislativa sob a condição de o governo negociar o corte no ponto e a recuperação das aulas perdidas. Na ocasião, a categoria deliberou que, se o governador insistir no desconto dos dias parados, a greve continuará.

Em reunião com deputados estaduais no dia 23 de dezembro, o secretário estadual de Educação, Faisal Karam, se comprometeu a realizar a reunião, mas ela acabou agendada somente para o dia 10. Nesta quinta, os professores foram ao Piratini cobrar o adiantamento da conversa para que as aulas possam ser retomadas e os professores que tiveram os salários descontados possam receber mais cedo.

Otomar Vivian não estava no local e a direção do Cpers foi, então, atendida por um representante do segundo escalão do governo. “Colocamos a nossa disposição de negociação e que gostaríamos que o governo antecipasse a reunião do dia 10 para o dia 6, ou até mesmo para amanhã se eles assim acharem conveniente”, disse Helenir.

Segundo a presidente do Cpers, o governo ficou de responder sobre o pedido. “Reiteramos que os nossos alunos, os pais, os professores e os funcionários estão com disposição de reiniciar. O único que, hoje, ainda demonstra não ter a disposição de reiniciar o ano letivo é o governo do Estado, quando corta salário e quando marca uma reunião para o dia 10 de janeiro, assim ainda dificultando o início do ano letivo de 2020”, disse, acrescentando que a situação agora está “nas mãos” do governador Eduardo Leite.

Durante o dia, deputados estaduais e federais, como Sofia Cavedon (PT) e Maria do Rosário (PT), fizeram postagens nas redes sociais cobrando do governo a antecipação da negociação.

Representantes do sindicato também realizaram na tarde desta quinta um “pedágio solidário” na Esquina Democrática, no Centro de Porto Alegre. A ação teve por objetivo arrecadar fundos para auxiliar na alimentação de servidores da Educação que aderiram a greve e tiveram os salários cortados pelo governo.

A Secretaria Estadual de Educação (Seduc) calcula que é necessário recuperar 25 dias parados nas escolas que aderiam à greve.

| Foto: Caco Argemi/Cpers