Delegados denunciam desmonte de Alckmin na Polícia Civil

Segundo dados levantados pelo sindicato da categoria, Alckmin deixa como legado um déficit de efetivo de 12.274 cargos vagos na Polícia Civil.

São Paulo – O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) acusa o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que na sexta-feira (6) deixou o cargo para disputar a presidência da República, de promover um desmonte na Polícia Civil paulista durante sua gestão. Segundo dados levantados pela entidade, Alckmin deixa como legado um dos maiores déficits de efetivo da história da instituição. São 12.274 cargos vagos, sendo 2.777 apenas de investigador e outros 615 de delgados. O governo nega a situação e diz que “não faltam investimentos para a Polícia Civil”.

Outros cargos com altos déficits são Escrivão de Polícia, com 2.505 cargos vagos, Agente Policial, com 851 e Agente de Telecomunicações, com 769. A carreira de Carcereiro, com um déficit de 2.859, foi “extinta” pelo governo de São Paulo, o que impede a substituição dos cargos que se tornam vagos. Os médicos legistas também estão com déficit de 271 profissionais. Peritos criminais, faltam 474. Papiloscopistas, 268 e auxiliares de papiloscopista, 402.

Para Arnaldo Rocha Júnior, secretário-geral do sindicato, a população é a mais prejudicada pelo sucateamento da Polícia Civil. “O principal problema é a impunidade. O cidadão é vitimado e o autor do crime, por falta de condições da polícia, não será investigado, nem levado à Justiça. Existe uma relação direta entre o aumento criminalidade e a impunidade causada pela falta de investimento na polícia que tem atribuição para investigar”, afirmou.

Ele também destaca que, apesar de o governo paulista apresentar dados de melhora na segurança pública, não há qualquer política de segurança sendo desenvolvida pelo governo Alckmin. “Isso se deve ao trabalho incansável do policial. Não existe nenhuma política de governo”, afirmou. Além disso, Rocha Júnior considera que não existe interesse do governo Alckmin em investir naquilo que não aparece nas propagandas.

“Não dá visibilidade o trabalho investigativo. Não tem resultado imediato. É muito melhor uma política de enfrentamento, mostrando ostensividade em armas, efetivo fardado, viaturas escrito ‘Polícia’. É como a opção por fazer mais viadutos do que investir em um transporte como o Metrô ou canalizar fiação elétrica, que não aparece”, avaliou o secretário-geral.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) negou os problemas.

“O sindicato distorce dados e fatos a fim de justificar uma tese equivocada. O suposto déficit apontado leva em consideração 2.486 mil cargos de carcereiros, que foram extintos em razão do fechamento das carceragens em distritos policiais. No final do ano passado foram empossados 1.240 novos policiais, os últimos aprovados nos concursos abertos em 2013. Além disso, foi autorizada a abertura de concurso para seleção de mais 2.750 policiais.

“Desde 2011 foram distribuídos para o Estado 4.987 policiais civis. O orçamento da instituição vem sendo ampliado. Em 2017 o aumento foi de 3% e os investimentos tiveram incremento de 166%. Além disso, estão em formação outros 825 policiais que reforçarão o quadro da Polícia Civil.

“Importante também deixar claro que o combate ao crime organizado é constante. O Estado de São Paulo (sic), nos dois primeiros meses desse ano, conseguiu atingir a taxa de 7,31 casos para cada 100 mil habitantes, a menor do país. Os outros índices criminais, como os roubos, latrocínios também seguiram a tendência e estão caindo ano a ano, graças aos investimentos e empenho de ambas as polícias.”