Depois de onze meses de mandato, Eduardo Leite ainda não compreendeu como é o trabalho da Polícia Civil

Em pronunciamento no Senado Federal, o governador Eduardo Leite demonstrou todo o seu desconhecimento acerca do trabalho da Polícia Civil. Ao fazer um pronunciamento em uma das Comissões da Casa, Leite fez uma longa explanação expondo o seu posicionamento a respeito da aposentadoria das polícias militares. Estava tudo dentro da normalidade, enquanto o governador reconhecia os direitos dos (as) Policiais Militares a uma aposentadoria diferenciada, com paridade e integralidade, inclusive nas pensões.

Em seu pronunciamento, o governador do estado demonstrou não estar suficientemente familiarizado com a atividade de polícia judiciária, ao afirmar que os Policiais Civis estariam expostos a “menor nível de riscos”, pois as Operações Policiais são planejadas e com menor risco para os Policiais Civis. Discordamos do método utilizado pelo governador para avaliar o grau de risco enfrentado por duas categorias que são distintas em sua essência e repudiamos seu pronunciamento.

Quanto a essas declarações desastrosas do governador, a UGEIRM declara o seguinte:

1 – Talvez o governador não saiba mas, em que pese a sua importância, as operações policiais constituem apenas uma parte da complexa função desempenhada pela Policia Civil, no seu dia a dia.

2 – Nos últimos três anos, três policiais civis foram mortos em serviço;

3 – Entre as atividades dos (as) policiais civis, também está incorporada a execução de diligências em investigações. Nessas situações, os (as) policiais estão constantemente expostos a risco, pois precisam trabalhar sem identificação e sem equipamentos de proteção, muitas vezes sem coletes, contando apenas com sua arma que, nesses casos, precisam ser portadas com discrição. Como fazer um levantamento de local em áreas de risco de forma ostensiva é um desafio a ser enfrentado pelas academias de polícia. Hoje, a discrição pode representar a diferença entre a vida e a morte.

4 – A Polícia Civil lida diariamente com o crime organizado e criminosos com alto poder de fogo e planejamento.

5 – Quando um cidadão procura uma delegacia para registrar uma ocorrência, muitas vezes é demandada uma ação imediata do (a) Policial de plantão. Como são os casos de violência doméstica, roubo, tráfico de drogas, etc. Essas ações colocam os (as) policiais civis em risco de vida, como já ocorrida com colegas que foram alvejados ao executar diligências.

6 – O (a) policial civil tem, como dever de ofício, a intervenção imediata com proatividade, como diz o governador, nos casos em que identifica qualquer transgressão às leis. Não é rara a intervenção de policiais civis nessas situações. Um exemplo, foi a ação de dois policiais civis de Gramado neste mês, quando libertaram três vítimas de sequestro. Esses policiais, inclusive, foram atropelados ao intervir, “com proatividade”, para libertar essas três pessoas que estavam sob a mira de sequestradores. Felizmente, as vítimas escaparam ilesas, graças à intervenção “proativa” dos policiais civis. Um dos policiais civis foi gravemente ferido e ainda se encontra hospitalizado.

7 – O governador afirma que as Operações Policiais se dão em um ambiente controlado, em que o risco dos (as) Policiais Civis é pequeno. Não sabemos se Eduardo Leite já acompanhou uma Operação Policial, ou se já esteve atrás de um aríete para adentrar em um local dominado por criminosos. Talvez o governador não saiba nem mesmo o que seja um aríete. Por isso, provavelmente, ele não saiba a tensão e o risco que é derrubar uma porta e não saber o que nos espera por detrás dela.  Preferimos acreditar que, no caso do governador, tais declarações tenham sido um lapso discursivo.  Uma consulta às ocorrências fatais envolvendo policiais é suficiente para se constatar que as três mortes mais recentes de policiais civis em serviço, aconteceram durante Operações Policiais.

8 – Acreditamos que o governador esteja, realmente, mal informado e que, na ânsia de defender suas propostas, tenha, como se diz popularmente, metido os pés pelas mãos. No entanto, seria particularmente produtivo para Eduardo Leite que ele consultasse o seu vice-governador e secretário de segurança, Ranolfo Vieira Júnior que é delegado de polícia. Com certeza, receberia boas orientações que evitariam declarações desastrosas como essas.

9 – Caso o governador prefira, convidamos para que ele passe dois dias acompanhando o trabalho de uma DPPA, como a de São Leopoldo ou qualquer das delegacias do interior lotadas com apenas um servidor policial, lidando com presos algemados em viaturas, com carceragens lotadas, atendendo a população e enfrentando a criminalidade e a violência nas ruas, que é onde ela realmente acontece, expondo sua vida para garantir a segurança da população.  Talvez esses dois dias sirvam mais para o currículo do governador, do que os vários seminários e cursos que ele participa nos Estados Unidos.