Diárias de viagem da Polícia Civil estão sem reajuste há mais de 9 anos

Em julho de 2012, o então governador do estado, Tarso Genro, publicava o reajuste das diárias de viagem da Polícia Civil. Desde essa data, há 9 anos e 5 meses atrás, o valor das diárias permanece o mesmo. Um (a) Policial que viaja, a trabalho, da Capital para o Interior do estado, recebe o valor de R$ 122,99 para custear todas as suas despesas, incluindo estadia e alimentação. Quem viaja do Interior para a Capital, recebe o valor de R$ 150,32.

Uma diária de um hotel médio das principais cidades do interior do estado, como Caxias do Sul ou Pelotas, custa hoje por volta de R$ 150,00. Ou seja, com a diária paga pelo governo do estado, um (a) policial civil não consegue nem pagar uma diária completa em um hotel. Em outras palavras, o (a) policial civil que viaja a trabalho tem que pagar para trabalhar.

Se quisermos comparar com o preço dos combustíveis, a diferença é ainda maior. Em 2012, o litro da gasolina estava em R$ 2,60. Hoje, a gasolina é comprada nos postos de Porto Alegre por R$ 7,50. Uma variação de 188%, no mesmo período em que os valores das diárias dos Policiais Civis não tiveram nenhum reajuste. Se tomarmos como parâmetro, a arrecadação do principal imposto do estado, o ICMS, as diárias também demonstram uma grande perda. Entre 2012 e 2019 (último ano antes da pandemia), a arrecadação de ICMS no estado teve uma variação de 73,23%. Se esse índice fosse aplicado às diárias da Polícia Civil, os (as) Policiais estariam recebendo, hoje, uma diária de R$ 260,00 para o deslocamento do interior para a Capital.

A direção da UGEIRM quer incluir essa discussão no debate da reposição salarial. Não é possível que a categoria continue pagando, para prestar seus serviços à população do estado. As operações policiais são cada vez mais frequentes, o que aumenta ainda mais o número de deslocamentos da categoria. Com isso, aumentam os gastos e o sacrifício que os (as) Policiais Civis precisam fazer para garantir a segurança da população gaúcha.

Foto: Raquel Barcellos / Leandro Adão – PCRS