Direção da Ugeirm faz visita à delegacia de polícia de Davi Canabarro

Na última sexta-feira, 22, a direção da Ugeirm visitou a delegacia de polícia de Davi Canabarro, alvo de tentativa de arrombamento no dia 18 de maio (veja matéria aqui). A delegacia conta com apenas uma servidora lotada, a Escrivã Indianara Oliveira. Ela, sozinha, é responsável pelo expediente da delegacia do município que tem cerca de mil habitantes.

Indianara tem que dar conta do registro de ocorrências, investigação e serviço cartorário. Quando necessita realizar um procedimento mais complexo, como um mandado de busca e apreensão, tem que pedir auxílio aos colegas do município de Ciriaco, distante cerca de 10km. Porém, a delegacia desse município também carece de efetivo, pois conta com apenas dois policiais lotados. “Felizmente mantemos uma ótima relação com a Brigada Militar do município, sempre que necessário recorro ao auxílio da BM”, relata a escrivã Indianara.

Policial único não é exceção

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Infelizmente, Davi Canabarro e Ciriaco não são uma exceção no nosso Estado. Municípios com um ou dois policiais lotados é a realidade de uma quantidade enorme de cidades. Realidades como essa se traduzem em risco à integridade física dos policiais e, praticamente, inviabiliza o serviço policial. “Caso a policial estivesse nas dependências da delegacia, no momento da invasão, o resultado poderia ter sido uma tragédia” afirma Isaac Ortiz, presidente da Ugeirm. Além da rotina extenuante, os servidores de boa parte dessas delegacias ainda sofrem a sobrecarga das escalas de sobreaviso, uma ilegalidade mantida pela polícia civil e tolerada pelas autoridades.

Ugeirm requisitou providências à chefia de polícia

A direção da Ugeirm solicitou à chefia de polícia o envio de um reforço policial para a DP de Davi Canabarro, a medida visaria garantir a integridade física de sua única policial. Solicitamos, também, a presença mais efetiva do delegado substituto, o qual é remunerado com verba de substituição e tem, como gestor, o dever da presença constante nas delegacias pelas quais responde. “O clima em Davi Canabarro é tenso, quem pode assegurar que represálias não serão cometidas contra a servidora? A polícia civil deve se fazer presente nesses momentos, até que a normalidade seja restabelecida” afirma a diretora da Ugeirm, Neiva Carla. Sobre a presença do delegado substituto, o chefe de polícia é categórico: “Agente de polícia não tem que levar inquérito policial para delegado substituto assinar”

Ataque à delegacia desvela insegurança no RS

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O ataque à delegacia de polícia de Davi Canabarro expõe a fragilidade das delegacias do interior e revela o descaso do governo Sartori com a segurança pública. A insegurança não é um fato novo no RS, mas sabemos que a política que prioriza o déficit zero em detrimento do interesse público só agrava a situação, o que já foi comprovado em governos anteriores.

A defasagem do efetivo torna as delegacias do interior vulneráveis a ataques dessa natureza. “O governo do estado precisa revelar à população gaúcha qual o seu plano para enfrentar o aumento da criminalidade. Alguns dias depois do episódio de Davi Canabarro, dois policiais foram atacados durante uma investigação em Porto Alegre. As tais metas anunciadas recentemente não passam de obviedades que não trazem nada de concreto” afirma o vice-presidente da Ugeirm, Fabio Castro.

 

Visita à BM

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Os diretores da Ugeirm fizeram questão de visitar a Brigada Militar de Davi Canabarro e agradecer aos policiais militares que evitaram o ataque á delegacia de policia. A interação entre as polícias é fundamental no enfrentamento da criminalidade, isso fica evidenciado em episódios como esse, onde a precariedade de meios é gritante. É importante destacar a colaboração da prefeitura municipal de Davi Canabarro, a qual providenciou as câmeras de monitoramento e alarmes para o prédio da DP.