DPPA de São Leopoldo, ano novo e velhos problemas

Os (as) policiais civis de São Leopoldo entraram em 2019 como se ainda estivessem vivendo o ano de 2018. As condições de trabalho só se deterioram. Com a chegada do fim do ano, o déficit do efetivo se agrava, a demanda aumenta e as condições de trabalho dos (as) policiais civis se tornam ainda mais precárias.

Hoje, a polícia civil de São Leopoldo conta com um efetivo que corresponde à metade do necessário para atender a demanda da região. Essa situação, agregada à superlotação da sua carceragem, com a permanência de presos por vários dias, e as péssimas condições das instalações físicas da DPPA, torna a atividade policial uma verdadeira operação de risco. As tentativas de fuga de presos, antes um fato extraordinário, já entraram para o cotidiano dos (as) policiais civis locais. Toda essa sobrecarga de trabalho, afeta diretamente o atendimento e a qualidade dos serviços prestados à população.

Suspensão de férias e mudança na escala de serviço não são soluções

A atual situação da DPPA de São Leopoldo é resultado da total falta de planejamento do governo Sartori. Não é novidade para ninguém que, chegando o período de fim de ano, a tendência é a diminuição do efetivo e o aumento da demanda nas DPPAs. Infelizmente, ao invés da elaboração de um planejamento que se antecipe a esses problemas, a prática corrente tem sido as ditas soluções paliativas que só pioram o atendimento. A imposição de escalas de 24X72 horas e a suspensão de férias jogam nas costas dos policiais civis a responsabilidade para resolver problemas que já vem de anos.

A escala de 24X72, além de um desrespeito aos policiais civis, representa uma deterioração no atendimento prestado a população. A escala corrente utilizada na polícia civil gaúcha é a de 12 horas. Estudos já comprovaram que, ao ultrapassar as 12 horas de serviço contínuo, o policial tem uma acentuada queda na sua capacidade de decisão que, em uma atividade de risco, é fundamental para um serviço eficiente e seguro. Quanto ao adiamento do gozo de férias, representa um ataque a um direito sagrado de qualquer trabalhador. Não é retirando esse direito, que será resolvido o problema do déficit de pessoal.

DPPA deveria estar interditada desde o ano passado

Em maio do ano passado, a UGEIRM pediu a interdição da DPPA de São Leopoldo ao Ministério Público. Amparada em uma série de vistorias realizadas pelo Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Vigilância Sanitária, o sindicato pediu ao MP a imediata interdição do prédio. Infelizmente, entramos em 2019 com as instalações ainda sem condições e os (as) policiais submetidos (as) às mesmas condições degradantes de trabalho.

Com a posse do novo governo, esperamos que essa situação seja encarada de frente. Não adianta falarmos em políticas de combate à violência, se a base do atendimento à população está totalmente sucateada. A primeira medida a ser tomada pelo governo que tomou posse no primeiro dia do ano, é a elaboração de um calendário regular de reposição de pessoal. Além disso, é preciso que seja feito um levantamento rigoroso das atuais condições físicas das DPPAs de todo o estado. Aquelas que não tiverem condições de funcionamento, devem ser imediatamente interditadas e reformadas. O sindicato já fez um levantamento de todas as delegacias da capital, região metropolitana e interior, onde aponta as atuais condições de funcionamento, incluindo instalações físicas, quantitativo de pessoal e escalas de trabalho. O mais breve possível, a direção da UGEIRM pretende compartilhar esses dados com o novo governo.

A UGEIRM vai estar aberta ao diálogo, para que possamos buscar soluções definitivas para esses problemas. Esperamos que no primeiro dia de 2020 não tenhamos que repetir aa mesma notícia como tem acontecido nos últimos quatro anos.