“É preciso interromper a escalada de violência”, defende UGEIRM Sindicato

ugeirmA intensificação da violência no RS é preocupante. A população gaúcha, nos últimos meses, tem assistido, atônita, o recrudescimento da violência em suas cidades. O cenário se torna ainda mais assustador e sombrio se levarmos em conta a incerteza acerca de seus possíveis desdobramentos. Execuções, chacinas, toque de recolher, ônibus incendiados por ordem de facções criminosas.  Pelo menos três crianças mortas a tiros. São as vitimas indefesas do mórbido efeito colateral que resulta do aumento da insegurança.

Ausência de políticas públicas de Segurança

Identificar o atual governo como único responsável pelo aumento dos índices de criminalidade seria uma temeridade. A violência no Brasil é estrutural e tem causas históricas que, para serem enfrentadas, necessitam de um amplo debate nacional acerca das políticas ou não políticas públicas de Segurança e do modelo de polícia existente no Brasil. Nosso país se encontra entre os mais violentos do mundo. Ostentamos índices de homicídios cinco vezes maior que a média mundial, conforme reportagem da Revista Época (leia aqui)

Por outro lado, o atual governo do estado, cujo programa para a área da Segurança desconhecemos ou simplesmente inexiste, promove um perigoso desmonte na área da Segurança Pública.

A polícia civil sofre as consequências deletérias do contingenciamento imposto por meio do decreto que cortou as verbas de custeio da instituição. O pagamento de horas extras sofreu redução de mais de 80%, o combustível contingenciado em 50% afeta sobremaneira a capacidade de reação por parte da PC. As operações de grande porte, que tiveram resultados bastante positivos no combate a criminalidade foram praticamente extintas. É importante destacar que o RS é exemplo na resolução de homicídios, com índices que chegam a 70% e o encolhimento da atuação da polícia civil, fruto da redução de investimentos pode acarretar a queda desses índices em um futuro próximo.

Efetivo defasado

A defasagem no efetivo da polícia civil alcança números preocupantes. Fruto da falta de planejamento ao longo dos anos, o efetivo da polícia civil diminuiu drasticamente e seus efeitos são sentidos no combate à criminalidade. “Os sucessivos governos não adotaram medidas no sentido de adotar uma política de reposição de pessoal. Hoje contamos com um efetivo igual ao da década de 1980. Isso é falta de planejamento”, afirma Isaac Ortiz, presidente da UGEIRM. Existem 650 concursados aptos a cursarem a Academia de Polícia Civil e o governo sequer sinaliza com uma data para o seu ingresso.

Ameaças de cortes nos salários, retirada de direitos e autoestima em baixa

Em um momento em que os servidores da Segurança Pública precisam estar motivados para empreender uma reação à violência endêmica, o governo promove instabilidade entre os policiais. Ameaças de não cumprimento da política salarial pactuada durante o governo anterior e referendada pela Assembleia Legislativa, atraso nos salários, promoções em atraso constrangem a categoria e promovem baixa autoestima entre os policiais civis. “ A sensação que fica é de que o governo não visualiza os servidores da Segurança Pública como atores essenciais no combate à criminalidade e na promoção da sensação de segurança na sociedade”, afirma Neiva Carla Leite, diretora de gênero da UGEIRM.

Respostas urgentes

O poder público precisa, com urgência, dar uma resposta à crescente onda de violência que assola o RS e devolver às gaúchas e aos gaúchos a sensação de segurança sequestrada nos últimos tempos. Esse não é um processo rápido e não há tempo a perder.

Até onde pode chegar a violência e em que grau de intensidade? Motins em casas prisionais, ataques às delegacias e atentados aos servidores da Segurança, até então não verificados em nosso estado são ações que podemos descartar?

“O Estado deve promover políticas públicas que transcendam as necessárias ações de combate à violência. Quando vemos, na imprensa, o local identificado como “o quartel general” do traficante morto ontem, fica fácil verificar que ali não tem nada, posto de saúde, creche, políticas de inclusão. O combate à violência se dá por inúmeros fatores, infelizmente todos negligenciados pelo Estado”, conclui Ortiz.