Entidades da segurança demonstram união e se preparam para derrotar o PLC206/2015

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A Sala Adão Pretto Espaço de Convergência da Assembleia Legislativa estava lotada, policiais civis, policiais militares, servidores da SUSEPE, do IGP e Bombeiros se reuniram com objetivos definidos, combater o PLC206/2015 e discutir a caótica situação da segurança pública no nosso estado. Denunciando ao verdadeiro desmonte da segurança pública, promovido pelo governo Sartori/PMDB, o encontro das entidades contou com a participação de vários deputados de vários partidos. Nos pronunciamentos de todas as entidades, um consenso: se nada for feito, o barril de pólvora, em que foi transformado o RS, vai explodir de uma hora para outra. Vários números foram apresentados demonstrando a situação da segurança pública, que beira o descontrole.

plenarioO presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, destacou a mudança de patamar na violência do nosso estado. Crimes que antes eram “privilégio” de cidades como Rio e São Paulo, estão se tornando corriqueiros no RS. O risco maior dessa política é o estabelecimento e fortalecimento do crime organizado no nosso estado. Quando isso acontece, os custos econômicos e em vidas são muito maiores. Ortiz citou o último fim de semana, onde várias cidades do interior viveram momentos de terror, inclusive com o assassinato de crianças. O presidente da UGEIRM também destacou a necessidade de combate ao PLC 206/2015, que visa perpetuar a política de desinvestimento e desmonte da segurança pública. Para Ortiz, somente a mobilização dos trabalhadores da segurança pública, em conjunto com a população, será capaz de barrar as políticas do governador Sartori/PMDB e sua base aliada.

Vários deputados e vereadores se pronunciaram durante a reunião. Todos fizeram uso da palavra, se mostrando solidários às reivindicações dos trabalhadores da segurança e se comprometendo a tentar impedir a aprovação do PLC 206/2015. Os deputados presentes foram: Enio Bacci (PDT), Junior Piaia (PCdoB), Jorge Pozzobon (PSDB), Luis Augusto Lara (PTB), Maurício Dziedricki (PTB), Jeferson Fernandes (PT), Adão Vilaverde (PT), Tarcisio Zimmermann (PT), Pedro Ruas (PSOL), Bombeiro Bianchini (PPL)  e os vereadores de Porto Alegre, Delegado Cleiton (PDT), Fernanda Melchiona (PSOL), Dr. Tiago (PDT), além do vereador de Livramento Germano Camacho (PTB). Alguns deputados, impossibilitados de participar por compromissos na própria Assembleia Legislativa, mandaram representantes para acompanhar as discussões, como a deputada Stela Farias (PT), Altemir Tortelli (PT) e Nelsinho Metalúrgico (PT).

Lançamento do jornal unificado A Sirene

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Durante a reunião, aconteceu o lançamento do jornal unificado das entidades da segurança pública A Sirene. A publicação é uma iniciativa visando materializar a unidade das entidades da segurança pública. O jornal conta com textos sobre a situação caótica da segurança pública, apresentando dados que demonstram o aumento expressivo da violência no último período. A ideia das entidades é entregar o jornal em diversos locais, dialogando com a população e convidando-a também a combater o desmonte da segurança pública. O vice-presidente da UGEIRM, Fábio Castro, destaca a importância da unidade das categorias da segurança pública e o papel que o jornal A Sirene vai cumprir na atual conjuntura, “foi a primeira reunião do Conselho Unificado e lançamos um jornal das categorias sobre o tema. Vamos percorrer o litoral durante as operações Verão e Golfinho para conversar com os colegas e o pessoal das cidades, denunciar o aumento da violência. Queremos denunciar o descaso do governo Sartori”, completou Fábio Castro.

Entidades se reúnem com Secretário da Casa Civil

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Após o encontro, uma comissão das entidades se dirigiu ao Palácio Piratini, onde entregaram um documento para o secretário Marcio Biolchi, pedindo a retirada do PLC 206/2015, além de outras pautas específicas de cada categoria, entre elas a incerteza sobre o pagamento do décimo terceiro salário. Na reunião, o Secretário Marcio Biolchi respondeu a vários questionamentos das entidades, entre eles se destacam as promoções, a convocação extraordinária para votação do PLC 206/2015, o pagamento do décimo terceiro e a convocação dos aprovados nos últimos concursos da área da segurança pública.

Promoções: o secretário explicou que o governo não tem dinheiro para pagar, ao mesmo tempo, a implantação da tabela de subsídios e as promoções, tendo que optar entre um ou outro. Até agora a opção tem sido pagar a tabela de subsídios, por abarcar a totalidade das categorias, diferente das promoções.

biolchi1Convocação extraordinária: Biolchi afirmou que o governo não tem nenhuma decisão ainda e que a situação estava sendo monitorada. A convocação ou não, vai depender da desobstrução da pauta da Assembleia e da avaliação do governo se possui maioria ou não para aprovar o PLC206/2015. Segundo Marcio Biolchi, até agora a avaliação é que o governo não possui os votos necessários.

Décimo terceiro: Marcio Biolchi afirmou que todas as notícias veiculadas na imprensa, até agora, são só boatos, não tendo nenhuma posição oficial do governo. Em um alerta, o secretário falou que os servidores devem se preocupar antes com o 120 , ou seja, o salário de dezembro, que ainda não está garantido. Ele informou ainda que na tarde da própria terça-feira (1), aconteceria uma reunião do governo para discutir a questão. Biolchi se comprometeu a, assim que tiver uma posição oficial do governo, comunicar às entidades. A UGEIRM está consultando o seu departamento jurídico sobre a possibilidade de ingresso de uma ação na justiça visando garantir o pagamento do décimo terceiro.

Convocação dos aprovados: não foi dada nenhuma garantia de convocação para o próximo ano. O único aceno do governo é a afirmação de que essa é uma das prioridades do governo e que, assim que a situação financeira permitir, as convocações serão efetuadas para a área da segurança, sem definir, contudo, uma data possível.

Para o presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, “a reunião foi válida, mas como sempre sem nenhum resultado concreto, apenas indícios. Sabemos que o governo vai jogar todas as fichas na aprovação do PLC206/2015 e precisamos estar preparados para essa batalha. As reuniões e as negociações são importantes, mas o que decide a disputa é a nossa força e mobilização. Para negociar, precisamos estar amparados na mobilização das nossas bases e na pressão sobre os deputados. O governo só vai ceder se sentir que não tem maioria na Assembleia Legislativa. Se tiver a certeza que tem maioria, vai passar o trator sobre nós. Por isso é fundamental intensificarmos a pressão sobre os deputados e os prefeitos do interior. Somente assim conseguiremos barrar o desmonte da segurança pública”.