Escala de 24X72 na Polícia Civil é desumana e vai sucatear o trabalho policial

A direção da UGEIRM participou de uma reunião com a Chefia de Polícia nesta quarta-feira (09), para discutir assuntos de interesse da categoria. Entre os pontos em discussão, estava a comunicação de que a Instituição vai, a partir de outubro, padronizar as escalas de serviço da Polícia Civil gaúcha em 24X72 horas. Extinguindo, dessa forma, a escala de 12X24 e 12X72, utilizada pela maior parte da Polícia Civil do nosso estado.

Durante a reunião, a Chefia de Polícia explicou que, com o aumento do déficit de efetivo, está se tornando inviável a manutenção das escalas atuais, além das inúmeras dificuldades de se manter escalas diferenciadas na Polícia Civil. A direção da UGEIRM expôs o seu posicionamento, que é radicalmente contrária a adoção da escala de 24×72, por considerá-la uma jornada desumana para os (as) Policiais, que coloca em risco a saúde da categoria e a segurança dos profissionais e da própria população.

Jornada de 24 horas é um descaso com a saúde dos policiais

Todos os estudos comprovam que qualquer trabalhador (a) exposto (a) a jornadas acima de 12 horas, fica com seus reflexos e sua capacidade de tomada de decisão afetada. No caso do trabalho na área da segurança pública, isso se torna extremamente grave, por ser uma atividade que lida com riscos concretos de morte. Além disso, a exposição continuada ao stress, que significa a jornada de 24X72, representa um risco concreto a saúde dos trabalhadores no médio e no longo prazo, com danos concretos a saúde física e mental dos (as) Policiais Civis.

Padronização deve ser com escalas de 12X24 e 12X72

O Sindicato também defende a padronização das escalas na Polícia Civil. Porém, padronizar essas escalas em 24X72, significará um sucateamento total do trabalho policial. A Instituição deveria adotar como padrão a escala de 12X24 e 12X72. Pois essa escala significa uma qualificação do trabalho policial, além de garantir a saúde dos trabalhadores da segurança pública.

A adoção dessa escala é uma conquista histórica dos policiais civis gaúchos, de mais de 15 anos, fruto de uma luta da categoria liderada pela UGEIRM. Já naquela época, havia sido demonstrado que a escala de 24X72 era inviável, tendo a escala sido implementada a partir das delegacias do interior. Aceitar o novo modelo de escalas, é abrir mão de um direito conquistado através da mobilização dos (as) policiais gaúchos (as).

Falta de efetivo é resultado da política equivocada do governo Eduardo Leite

O argumento da falta de efetivo, para a implementação da escala de 24X72, é totalmente equivocado, além de ser um reconhecimento da falta de política do governo Eduardo Leite para a Polícia Civil gaúcha. Se, hoje, a instituição se encontra com um dos menores efetivos da sua história, isso é resultado da falta de planejamento e do descaso do governo com a Polícia Civil.

Não foram poucas as vezes que a UGEIRM alertou para a possibilidade de um colapso na instituição pela falta de policiais. O governo fez de conta que não era um problema dele. O Sindicato fez várias gestões junto ao governo para que fossem convocados todos os policiais aprovados no último concurso, inclusive, os 1.100 aprovados excedentes, que o governo sinaliza que não irá aproveitar. Ao invés de fortalecer a instituição, com a convocação de novos policiais, a administração prefere enfraquecer ainda mais o trabalho dos (as) policiais, aumentando a jornada de trabalho e sucateando o serviço oferecido à população.

Ainda durante a campanha eleitoral, que culminou com a eleição de Eduardo Leite, a UGEIRM apresentou a necessidade de uma política permanente de reposição de pessoal. O então candidato Eduardo Leite se comprometeu com essa proposta. No entanto, já estamos indo para o terceiro ano de mandato e o que vemos são medidas paliativas, que visam apenas tapar o buraco da falta de efetivo. Qualquer governante sabe que política de tapa buraco na Segurança Pública, é o prenúncio de uma tragédia anunciada. E é isso que a implantação da escala de 24X72 pode trazer. Policiais extenuados, com uma jornada de 24 horas de trabalho, é um convite a uma tragédia.

Além da contratação de novos policiais, é urgente que a administração faça uma ampla discussão, que envolva a categoria, sobre um planejamento estratégico para a instituição. Nesse debate, é fundamental a avaliação da estrutura atual da polícia, para que, a partir daí, possa ser feita uma reestruturação visando racionalizar o emprego de pessoal dentro da Polícia. É preciso questionar a existência de tantas delegacias e órgãos, quando não temos o efetivo necessário nem mesmo para a estrutura atual. Não é mais admissível que sejam criados novos órgãos e delegacias, sem que a instituição tenha um planejamento que atenda aos objetivos da Polícia Civil. Essa multiplicidade de órgãos, além de administrativamente ineficaz e sobrecarregar ainda mais o quadro de pessoal da instituição, é onerosa para o estado, pois grande parte dela requer o pagamento de gratificações de substituição.

Por todos esses motivos, a UGEIRM anuncia que vai lutar até o final pela reversão dessa decisão totalmente equivocada da administração da Polícia. O Presidente do Sindicato, Isaac Ortiz, argumenta que “padronizar as escalas da Polícia Civil em 24X72, é sucatear ainda mais o trabalho de uma categoria que vem há tempos sendo desconsiderada pelos governantes. Os (as) Policiais Civis estão na linha de frente do combate ao Coronavírus, convivendo diariamente com o risco de contágio, mesmo recebendo seus salários em atraso há mais de cinco anos. Submeter esses trabalhadores a jornadas de trabalho desumanas, como a proposta pela administração, chega a ser cruel.