Governo diz que servidores podem não ter salário no dia 29

A chantagem do governo, para conseguir fechar o Acordo da dívida com a União, chegou ao ponto máximo, até agora, nessa semana. Em conversas vazadas para a imprensa, setores do governo já admitem que os servidores podem ficar sem salários no dia 29 de setembro. Depois de pagar apenas R$ 350 em agosto, o governo ameaça agora com o não pagamento de salários ao fim do mês. A possibilidade é que a primeira parcela dos salários sejam pagas apenas no dia 5 de outubro.

É realmente lamentável, que o governo utilize os salários dos policiais para conseguir seus objetivos políticos e eleitorais. Na ânsia de emparedar a Assembleia Legislativa para aprovar sua proposta de renegociação da dívida com a União, o governo deixa de pagar salários de policiais que estão nas ruas tentando garantir a segurança da população gaúcha. E o que é pior, o objetivo não é sanear as finanças do estado, mas sim vender o patrimônio público do estado. Pois, como o próprio Secretário da Fazenda admite, esse acordo vai agravar a crise financeira do estado no futuro. Um Acordo que será assinado com um governo envolvido em vários escândalos de corrupção, como o de Temer/PMDB, não pode ser considerado um bom negóocio para a população gaúcha. A previsão é que a dívida, após três anos, tenha um aumento de mais de R$ 10 bilhões. Comprometendo, de forma quase irremediável, o futuro do nosso estado.

Aposentadoria, promoções e reajuste dos policiais em risco

Para os policiais, esse atraso no pagamento dos salários pode significar algo ainda mais grave. A assinatura da renegociação da dívida com a União, que é o verdadeiro objetivo do governo, inclui uma série de contrapartidas por parte do governo estadual. Entre elas, está a suspensão de reajustes já concedidos, proibição de novos concursos, revisão das aposentadorias especiais e proibição de progressões dentro das carreiras.

Se agora já vivemos uma situação extremamente preocupante, sem promoções, com as aposentadorias trancadas e salários parcelados. A perspectiva com a assinatura da renegociação da dívida é pior ainda. As promoções serão oficialmente proibidas, a aposentadoria policial poderá ser revogada e, mais grave ainda, o reajuste da Tabela de Subsídios será adiado para um futuro distante.

Diante desse quadro, a UGEIRM, em conjunto com o restante dos servidores públicos, está preparando uma grande mobilização para dar resposta ao governo Sartori/PMDB. Se o governo cumprir o prometido e não depositar os salários no dia 29 de setembro, os servidores farão uma grande manifestação e discutem a possibilidade de parar o estado nesse dia.

O presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, lembra que “somente a pressão garantiu nossa Tabela de Subsídios até agora. Desde que assumiu, o governo Sartori tenta barrar nossos reajustes, inclusive, acusando os policiais de serem os responsáveis pela crise financeira do estado. Dessa vez, não será diferente, somente a nossa mobilização garantirá a manutenção dos nossos reajustes até 2018. Além disso, sabemos que as negociações com o governo são importantes, mas foi a mobilização dos policiais que fez o governo recuar no fim da aposentadoria policial. Mas, até agora, as aposentadorias não foram retomadas na prática. Temos que aumentar a pressão e fazer o governo cumprir com o que se comprometeu e retomar a concessão de aposentadoria para os policiais, além de publicar as promoções que estão congeladas”.