Governo faz chantagem e diz que salário de agosto não será integralizado em setembro

O governo do estado, através de seu Secretário da Fazenda, Giovani Feltes, continua com sua campanha de chantagem explícita. Nas edições de hoje dos jornais, o secretário afirma com todas as letras que, caso não seja fechado o acordo da dívida com a União, teremos o encontro das folhas entre agosto e setembro. Encontro das folhas é um nome bonito, para dizer que não pagará a totalidade dos salários de agosto até o fim de setembro.

Feltes afirma na entrevista: “sem o acordo com a União, não vamos conseguir evitar o caos”. E completa: “o encontro de folhas vai acontecer entre agosto e setembro. Está cada vez mais próximo”. E faz a chantagem sem nenhum pudor. No ano passado, também fez o mesmo tipo de chantagem, afirmando que o Rio Grande do Sul teria um déficit de mais de R$ 4,5 bilhões. Porém, ao final do ano teve que admitir que tinha errado na conta. O déficit real foi de R$ 144 milhões apenas.

Se fosse apenas uma chantagem, sem consequências, já seria um absurdo. Porém, o mais grave é que as consequências são gravíssimas, pois se trata dos salários de trabalhadores que garantem o funcionamento do Estado. No caso da segurança pública, é mais grave ainda. Estamos lidando com a segurança da população, que já está exposta diariamente a uma verdadeira epidemia de violência. Deixar de pagar os salários dos servidores que arriscam sua vida para garantir a segurança da população, com o objetivo de aprovar um acordo com a União que hipoteca o futuro do estado, é uma irresponsabilidade sem tamanho.

O presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, avisa: “os policiais têm que estar prontos para responder a altura essa irresponsabilidade do governo. Se admitirmos que o governo utilize nossos salários para chantagear a população gaúcha, não teremos moral para defendermos nossos direitos. Na mesma entrevista que faz a chantagem com o atraso dos salários, o governo coloca o aumento da Segurança Pública como o principal responsável pelo déficit nas contas do estado. Ou seja, o recado está dado: a próxima vítima pode ser a Tabela de Subsídios da Segurança Pública”.