Governo sofre derrota e plebiscito das privatizações é enterrado

O governo Sartori/MDB sofreu uma grande derrota na Assembleia Legislativa na noite desta terça-feira (05). Seu projeto que reduziria para 90 dias o prazo mínimo para autorização de plebiscito sobre a venda de estatais, foi derrotado por 29 votas a 23. Com a rejeição do texto no plenário da Assembleia Legislativa, o plebiscito para venda da CEE, CRM e Sulgás não tem condições de acontecer junto com as eleições de outubro, como queria o governo. Ao final da votação, o público que ocupava as galerias da Assembleia gritou “Fora Sartori”. Em 2016, o próprio governo havia tentado, sem sucesso, retirar da Constituição estadual a exigência de consulta aos eleitores.

Com medo de derrota, governo tentou retirar quórum da sessão

Prevendo a derrota nesta terça, a bancada do governo tentou, por quatro vezes, derrubar a sessão. Porém, a fragilidade de um governo em fim de mandato pesou mais do que a presença de secretários influentes no plenário, como o chefe da Casa Civil, Cleber Benvegnú, e o titular da Segurança Pública, Cezar Schirmer. Com o apoio de deputados cujos partidos até pouco tempo integravam a gestão Sartori – PSDB, PP e PDT –, a oposição manteve o quórum de 28 parlamentares e sustentou a votação.

Sartori/MDB apostava na privatização de estatais para a adesão do Rio Grande do Sul ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) do governo federal. O objetivo do governo Sartori/MDB era aprovar o plebiscito e usar a adesão ao RRF como bandeira na campanha eleitoral. Isso poderia significar o comprometimento definitivo do futuro do nosso estado. Com a adesão, os salários dos servidores ficariam congelados durante 20 anos, as contratações e promoções proibidas, além de representar um aumento de mais de R$ 30 bilhões no montante da dívida com a União. Com a derrota, fica ainda mais difícil a aceitação, pela União, da adesão do Rio Grande do Sul ao RRF.