Investigação da Polícia Civil desvenda assassinato de adolescente caingangue de Guarita

A Polícia Civil gaúcha desvendou mais um crime de grande repercussão no estado. O assassinato da caingangue Daiane Griá Sales, 14 anos, chocou a sociedade gaúcha, por ter sido executado com grande crueldade e ter acontecido em uma área rural junto à reserva indígena de Guarita.

Após uma profunda investigação, a Polícia Civil indiciou um homem de 33 anos. A conclusão dos policiais, anunciada na manhã desta quarta-feira (15), é de que a adolescente foi carregada em um veículo até uma área de mata, estuprada e assassinada. Não se sabe, ainda, a motivação do crime, que foi enquadrado como um feminicídio. Daiane desapareceu na noite de 31 de julho, após participar de festas no entorno da aldeia, os chamados “sons”, onde jovens colocam carros com música ao ar livre para dançar. O último local onde esteve foi na Vila São João, dentro da reserva indígena.

O corpo dela foi encontrado quatro dias depois, em uma estrada junto a uma lavoura em Posse Ferraz, a 10 quilômetros de distância, contígua à reserva caingangue.

Dois homens foram presos por suspeita de envolvimento no homicídio. Ambos estavam entre os últimos vistos em companhia de Daiane. Um deles de 21 anos, e o outro de 33. Os dois negaram envolvimento no assassinato.

Após o interrogatório de 88 testemunhas e mais de 40 dias de investigações, a equipe da Polícia Civil concluiu que, embora os dois tenham sido vistos com a vítima, só um deles cometeu o assassinato. Esse homem, o de 33 anos, teve a prisão temporária substituída por uma prisão preventiva, sem data para expirar. Ele também foi indiciado pelo assassinato.

Para chegar às suas conclusões, a equipe se utilizou de informações colhidas pela Perícia, que encontrou vestígios genéticos do investigado junto ao cadáver da vítima. Saliva do homem, por exemplo, estava presente na região peitoral da jovem. Além disso, há outros vestígios que apontam que ele teria tido relações sexuais, não consensuais, com a caingangue. A perícia também demonstrou que Daiane tinha ingerido muita bebida alcoólica. Essa condição, demonstra que a vítima estava em situação absolutamente vulnerável, sem condições de defesa, o que dificultou que resistisse ao assédio do criminoso. O suspeito foi indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

O advogado da família de Daiane, Bira Teixeira, está satisfeito com o resultado do inquérito. “O crime não foi colocado para baixo do tapete. A família tinha receio de que ficasse sem solução. A perícia foi fundamental para comprovar a autoria. Seguiremos acompanhando. E gostamos que o Ministério Público vai agir para conter outros crimes que têm sido praticados nessas festas” — define o advogado.

O resultado da investigação da Polícia Civil, demonstra a importância e capacidade do trabalho da Instituição. Os profissionais envolvidos no trabalho estão de parabéns, por desvendar um caso que chocou a sociedade gaúcha. Casos como esses são emblemáticos e, quando solucionados, trazem uma maior sensação de segurança à população além de inibir esse tipo de violência.