IPCA tem maior alta para agosto em quatro anos, com aumento da gasolina e de alimentos

Inflação oficial agora soma 2,44% em 12 meses. Preços de cursos caem, acesso à internet fica mais caro

Por Vitor Nuzzi, da RBA

São Paulo – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variou 0,24% em agosto, na maior taxa para o mês desde 2016, segundo o IBGE. Ficou abaixo de julho (0,36%). Agora, soma 0,70% no ano e 2,44% em 12 meses – este indicador sobe há três meses seguidos. Produtos como a gasolina, mais uma vez, e alimentos consumidos em casa foram alguns dos principais responsáveis pelo resultado, divulgado pelo instituto nesta quarta-feira (9).

Dos nove grupos que compõem o IPCA, índice oficial de inflação, seis tiveram alta. Destaque para Transportes, que subiu 0,82% e teve impacto de 0,16 ponto percentual na taxa do mês. Com aumento de 0,78%, Alimentação e Bebidas contribuiu com 0,15 ponto.

Gasolina e etanol aumentam

Em Transportes, que teve a terceira elevação seguida, o preço médio da gasolina subiu 3,22% no mês passado. Também registraram aumento o óleo diesel (2,49%) e o etanol (1,29%). Já o gás veicular caiu 0,79%. Ainda nesse grupo, o IBGE apurou alta de 0,37% nos preços de serviços de transportes por aplicativo, que haviam caído em julho. E aspassagens aéreas, por sua vez, tiveram nova retração, agora de 1,97%.

Alimentos para consumo de domicílio aumentaram 1,15% em agosto, com influência de produtos como tomate (12,98%), leite longa vida (4,84%), frutas (3,37%) e carnes (3,33%). O instituto destaca ainda o óleo de soja (9,48%) e o arroz (3,08%), que acumula 19,25% no ano. Por outro lado, caíram preços de cebola (-17,18%), alho (-14,16%), batata inglesa (-12,40%) e do feijão carioca (-5,85%).

Já a alimentação fora do domicílio caiu -0,11%, embora menos menos que no mês anterior (-0,29%). Esse resultado é determinado pelo item refeição, que foi de -0,06%, em julho, para -0,56%. O lanche, que havia caído 0,86%, subiu 0,78%.

Aluguel e energia em alta

No grupo Habitação, que teve alta de 0,36%, o aluguel residencial subiu 0,32% e a energia elétrica, 0,27%, cada um com impacto de 0,01 ponto. A taxa de água e esgoto aumentou 0,43%, enquanto o gás encanado caiu 1,67%. O instituto cita ainda alta em preços de materiais de construção, como tijolo (9,32%) e cimento (5,42%).

A principal variação negativa foi do grupo Educação: -3,47%. O impacto na taxa geral foi de 0,22 ponto. “Em virtude da suspensão das aulas presenciais por conta da pandemia de Covid-19, várias instituições de ensino concederam descontos nos preços das mensalidades”, diz o IBGE. Os preços dos cursos regulares caíram 4,38%, com quedas na pré-escola (-7,71%), pós-graduação (-5,84%), educação de jovens e adultos (-4,80%) e creches (-4,76%).

Variações regionais

O grupo Vestuário  (-0,78%) mostrou quedas nos preços das roupas masculinas (0,74%) , femininas (-1,23%), infantis (-1,46%) calçados e acessórios (-0,55). Joias e bijuterias, por outro lado, subiram 2,32%, com alta de 10,11% no ano. Em Comunicação (0,67%), o item acesso à internet aumentou 8,51%, com impacto de 0,05 ponto.

Cindo das 16 áreas pesquisadas tiveram deflação. O menor índice foi apurado no município de Aracaju (-0,30%) e o maior, no de Campo Grande (1,04%). Na região metropolitana de São Paulo, o IPCA variou 0,31%. Em 12 meses, o índice vai de 1,79% (Grande Porto Alegre) a 4,43% (Campo Grande), somando 2,60% em São Paulo, 2,27% em Brasília e 2,02% no Rio de Janeiro.

INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) foi de 0,44% em julho, para 0,36%, maior taxa para agosto desde 2012. Soma 1,16% no ano e 2,94% em 12 meses.

Segundo o IBGE, os produtos alimentícios tiveram alta de 0,80%, ante 0,14% no mês anterior. Já os não alimentícios foram de 0,53% para 0,23%.