Júri condena assassino do Escrivão Rodrigo Wilsen a 80 anos de prisão

A UGEIRM acompanhou, no Fórum de Gravataí, o julgamento do assassino do Escrivão Rodrigo Wilsen. Após dois dias de trabalhos do Tribunal do Júri, foi feito justiça e o assassino do Policial Civil, Maicon Rodrigues, foi condenado a 80 anos de prisão. Rodrigo foi morto em serviço, ao participar de uma operação contra o tráfico de drogas em Gravataí.

O julgamento teve início na manhã da terça-feira (17) e se estendeu até o início da madrugada desta quinta-feira (19). Ao final, a Juíza Valéria Eugênio Neves leu as sentenças determinadas pelo Júri. O assassino Maicon Rodrigues foi considerado culpado pelos crimes de homicídio qualificado e três tentativas de homicídio qualificado contra os outros policiais que participavam da operação. Três outros traficantes foram condenados a mais de 19 anos de prisão, enquanto uma outra traficante foi condenada a 21 anos e nove meses de reclusão.

O Presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, que acompanhou o julgamento no Fórum de Gravataí, declarou que “felizmente, foi feito justiça. A sociedade não pode deixar passar impune um crime como esse. Os tiros disparados contra o nosso colega Rodrigo, atingiu toda a polícia civil e a sociedade gaúcha. Ao condenar o assassino a 80 anos, a justiça demonstrou que um crime contra o Estado e a sociedade não ficará impune”.

Ausência de representantes do governo e da Polícia Civil no julgamento é inexplicável

Durante o julgamento, além da UGEIRM, estiveram presentes no Fórum vários Policiais Civis, que foram prestar solidariedade à esposa e familiares do Rodrigo. Também registramos a presença de integrantes do Ministério Público, da Brigada Militar, da SUSEPE e dos servidores do Fórum de Gravataí, que prestaram todo apoio e solidariedade. Um colega da Brigada Militar, Adão Tarigo, se deslocou de Guaíba e fez questão de demonstrar sua solidariedade. O atual Delegado Regional, Juliano Ferreira, também esteve presente os dois dias, junto com os colegas da Volante e da CORE de Gravataí.

Infelizmente, não vimos representantes do Executivo e, particularmente, da Polícia Civil enquanto instituição. Essa ausência é inexplicável. Quando Rodrigo teve sua vida tirada, estava cumprindo sua missão de defesa da sociedade, a serviço da Polícia Civil. Além disso, uma servidora da Instituição, a policial Raquel Biscaglia, enfrentava um momento extremamente difícil, ao ter que depor no Tribunal, frente a frente com o assassino do seu marido. O mínimo que se exigia do Estado, era que estivesse presente, demonstrando seu apoio a uma servidora que arrisca a sua vida em nome desse mesmo Estado, nesse momento tão delicado.

A presença da Instituição, além dos motivos elencados acima, teria, também, um caráter pedagógico, ao demonstrar que, ao atentar contra a vida de um policial, qualquer criminoso enfrentará a reação de todo o poder público. Em um mundo regido por imagens, seria importante que a foto do julgamento registrasse a presença das mais altas autoridades do estado. Da mesma forma que a imagem das autoridades no sepultamento do Rodrigo foi de grande importância, a imagem das autoridades no julgamento teria um grande significado. Esperamos que as autoridades do Executivo e da Polícia Civil reflitam sobre a simbologia que as suas presenças, no julgamento do assassino de um policial, teriam para a sociedade gaúcha.

Julgamento demonstrou que protocolos para operações policiais precisam ser rediscutidos

O Julgamento dos assassinos de Rodrigo Wilsen, trouxe à tona a discussão sobre os protocolos para as operações policiais. Na época do assassinato, a UGEIRM cobrou da administração da polícia civil, que todos os procedimentos das Operações fossem revistos com a participação da categoria. Infelizmente, de lá para cá pouco, ou quase nada, foi feito. Recentemente tivemos o caso da policial civil Laline Latérrea, que foi baleada durante uma operação policial. Tanto no caso do Rodrigo quanto no de Laline, o socorro foi feito de forma improvisada, sem que houvesse um planejamento para o caso de uma emergência. Pelos relatos que recebemos, essa tem sido a prática nas Operações Policiais. Além disso, no caso do Rodrigo Wilsen, ficou clara a necessidade da utilização de escudos de proteção, nos casos de abordagem em apartamentos ou casas.

Anos atrás, a UGEIRM fez uma campanha pela utilização obrigatória de coletes balísticos, dentro do prazo de validade, em qualquer operação policial. Hoje, esse é o protocolo básico e é uma garantia de segurança para a categoria. Agora precisamos que a utilização de escudos seja uma prática nas operações policiais. Outra questão que deve ser levantada, é em relação à qualificação permanente dos (as) Policiais Civis. A Instituição deve ter uma política permanente de qualificação, com cursos de tiro e de táticas policiais, como os que a UGEIRM vem promovendo. Inclusive, colegas da equipe do Rodrigo Wilsen, participaram de um dos cursos promovido pela UGEIRM.

Precisamos avançar nos protocolos de segurança, mas de forma científica e estudada. Por isso, é necessário que a administração abra, imediatamente, um grupo que faça essa discussão e analise todos os procedimentos das operações policiais. Não podemos esperar que mais um policial perca a sua vida, para que as providências sejam tomadas. Elas são urgentes, sob o risco de lamentarmos a morte de mais um policial.