Justiça determina que Estado faça teste de coronavírus antes de retirar presos das delegacias

Atendendo parcialmente um pedido do Ministério Público, a Justiça gaúcha determinou, neste sábado, que os presos que se encontram nas carceragens das delegacias e que deveriam ser transferidos para o sistema penitenciário, realizem testes de coronavírus antes da transferência. Caso o exame dê negativo, esses presos seriam transferidos. Em caso de positivo, esses presos seriam imediatamente colocados em isolamento.

No entendimento da direção da UGEIRM, a medida é positiva, no sentido de resguardar o sistema carcerário de um possível alastramento do vírus entre os presidiários. No entanto, a direção do Sindicato demonstra uma grande preocupação de que essa decisão sirva como motivo para que a remoção dos presos das Delegacias não seja realizada. É importante ressaltar que o pedido original do Ministério Público, era no sentido de impedir as transferências, com a alegação de que deveria ser evitada a circulação de pessoas para impedir a transmissão da COVID-19. O que o Ministério Público não leva em conta, é que a permanência desses presos nas delegacias, coloca em risco a saúde dos Policiais Civis e da população que depende do serviço da Polícia.

Diante da decisão da Justiça gaúcha, alguns questionamentos ainda estão sem resposta. O primeiro é: em caso de teste positivo, onde esses presos seriam isolados? O segundo: com a falta de kits para testes, quem garante que serão disponibilizados testes para os presos?

A direção da UGEIRM apela ao governo do estado e à Justiça, para que seja realizada imediatamente a transferência dos presos para o sistema prisional. Estamos vivendo dias difíceis e a perspectiva é que a situação se agrave. A atuação da Polícia nessa realidade, é fundamental. As forças de segurança pública podem significar a diferença entre o caos e uma forma civilizada de enfrentar essa crise que vivemos. Expor esses profissionais ao risco de contrair o coronavírus, pode reduzir ainda mais o efetivo atual da Polícia Civil, que já é o menor da história da Instituição. Portanto, a proteção desses profissionais, é uma garantia não apenas para a categoria, mas para toda a sociedade gaúcha.