Multidão toma as ruas de Porto Alegre contra cortes na educação e contra reforma da Previdência

Luís Eduardo Gomes

Foi uma manifestação como há tempos não se via em Porto Alegre. Reminiscente dos movimentos de Junho de 2013 e das mobilizações secundaristas de 2016. Milhares de estudantes, professores, técnicos-administrativos ou apenas apoiadores da causa caminharam pelas ruas centrais de Porto Alegre nesta quarta-feira (15) para marcar o Dia Nacional de Mobilização pela Educação.

Após manifestações esparsas pela manhã, uma concentração de estudantes começou a se formar por volta do meio-dia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Após um abraço coletivo ao prédio, eles rumaram para a frente do Instituto de Educação Flores da Cunha, onde estava marcado um ato para as 14h. Pelo caminho, estudantes que aguardavam no Campus Central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) se juntaram ao ato.

Concentração ganhou força diante do Instituto de Educação Flores da Cunha | Foto: Giulia Cassol/Sul21

“Unificou, unificou, estudante, funcionário e professor”. Com esse canto, representantes do Centro dos Professores do Rio Grande do Sul (CPERS) se juntaram ao ato pouco antes das 14h, já diante do IE. A partir dele, os cantos dos estudantes começaram a se alternar com falas em um carro som. “O Bolsonaro tinha dito que ia vir um tsunami, olha aí o tsunami”, disse a presidente do sindicato, Helenir Schürer. Outras falas já respondiam à frase feita momentos antes pelo presidente Jair Bolsonaro de que os atos desta quarta eram de “idiotas úteis”. “A universidade é nossa, o Instituto Federal é nosso, a educação pública é do Brasil, não de Bolsonaro. Sigamos nas ruas em defesa da educação”, disse a coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRGS, Gabriela Silveira.

Por volta das 14h, horário marcado para a concentração no IE, chegavam mais grupos de estudantes universitários, secundaristas ou de profissionais da educação. “Somos o povo e esses cortes vamos derrubar”, cantavam os estudantes do colégio estadual Paula Soares ao se somarem ao ato. O contingente de pessoas foi suficiente para dar um abraço coletivo no Instituto de Educação e no Campus Central da UFRGS simultaneamente.

Findado o abraço, os manifestantes iniciaram então uma caminhada pelas ruas centrais da cidade, começando pela Osvaldo Aranha em direção ao Túnel da Conceição, que chegou a ser ocupado do início ao fim em determinado momento. “Eu tô na rua, não abro mão, essa balbúrdia vai salvar a educação”, “Ô Bolsonaro, presta atenção, balbúrdia é cortar da educação”, diziam as palavras de ordem cantadas pelos manisfestantes, demonstrando que a desastrada frase do ministro da Educação, Abraham Weintraub, serviu de combustível para os protestos.

Manifestação ocupou inteiramente o Túnel da Conceição | Foto: Giulia Cassol/Sul21

Saindo do túnel, a manifestação seguiu pela Av. Alberto Bins até a Rua Cel. Vicente, onde um grupo de estudantes do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) realizava outro ato diante do Campus Porto Alegre da instituição. “A nossa luta, é todo dia, educação não é mercadoria”, diziam os manifestantes.

A caminhada, que já reunia milhares de pessoas, rumou então para a sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nesse momento, junto com os cantos contra os cortes na educação, começaram também a ganhar força palavras de ordem contra a reforma da Previdência, especialmente por parte dos trabalhadores em educação que participavam do ato. “Um, dois, três, quatro, cinco, mil, ou para a reforma ou paramos o Brasil”, dizia um dos cantos, que era alternado a outro convocando para uma greve geral contra a reforma da Previdência. Após uma breve parada no local, a manifestação seguiu para a Esquina Democrática, onde está marcada uma mobilização para o final da tarde e início da noite em Porto Alegre.

Exceto por uma ocorrência pela manhã, quando um pequeno grupamento da tropa de choque da Brigada Militar usou bombas de efeito moral para dispersar manifestantes que bloqueavam o trânsito na Rua Sarmento Leite, nos arredores da UFRGS, a manifestação transcorreu sem incidentes. Agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) acompanharam o ato, isolando o trânsito e coordenando a retomada do tráfego de veículos.

Multidão se reúne na Esquina Democrática em Porto Alegre | Foto: Annie Castro