Policiais não estão em casa e nem com a geladeira cheia

O banqueiro Paulo Guedes, que atualmente dá expediente no Ministério da Economia, declarou na última segunda-feira (28) que pretende congelar os salários dos servidores públicos de todo o país. Para Paulo Guedes, os médicos, policiais e demais servidores públicos, que estão na linha de frente do combate à epidemia do Coronavírus, estão “trancados em casa com a geladeira cheia assistindo à crise”. O Ministro, que deveria estar elaborando políticas para mitigar o sofrimento de milhões de brasileiros (as) que estão perdendo seus empregos devido à crise causada pela Pandemia, está preocupado em piorar ainda mais a situação econômica desses profissionais, que estão nas ruas colocando suas vidas em risco para combater o vírus.

Porém, não há nada que não possa piorar. Em artigo de opinião, disfarçado de notícia, o grupo RBS, que demitiu por volta de 30 jornalistas em meio à Pandemia, vai ainda mais longe do que Paulo Guedes. Nesta segunda-feira (27), defende em suas páginas a redução de salários dos servidores públicos em todas as esferas. Ou seja, não satisfeitos em apoiar os absurdos de Paulo Guedes, o Jornal Zero Hora defende que os servidores, que têm colocado suas vidas em risco para combater o Coronavírus, tenham seus salários reduzidos em até 25%. Nem mesmo o Ministro Paulo Guedes, um adversário feroz do serviço público, chega ao tal ponto. Em seu desastroso pronunciamento desta segunda-feira, Guedes afirma que o corte de salários dos servidores públicos não está em discussão nesse momento.

Polícia Civil está nas ruas fazendo a sua parte

Aqui no Rio Grande do Sul os servidores já estão há mais de cinco anos com as suas geladeiras vazias e recebendo seus salários com atraso. E, mesmo assim, o governo Eduardo Leite não permitiu nem mesmo a suspensão do pagamento das parcelas do crédito consignado dos servidores.

No caso dos Policiais Civis, para fortalecer o combate à Pandemia, todos (as) tiveram suas férias suspensas e mesmo os trabalhadores com mais de 60 anos, estão impossibilitados de se afastarem das suas funções. Como exemplo da dedicação e importância do trabalho dos Policiais Civis, basta olhar as próprias notícias do Jornal Zero Hora. São apreensões de álcool gel ilegal, ações para a garantia da política de distanciamento social, distribuição de materiais de proteção, distribuição de cestas básicas em comunidades carentes, além do combate diário à criminalidade.

Solução para crise não passa pelo ataque ao serviço público

Várias alternativas para combater a crise financeira causada pela Pandemia do Coronavírus já foram propostas por vários setores da sociedade. Taxação das grandes fortunas, tributação dos lucros dos bancos e suspensão do pagamento dos juros da dívida pública são algumas dessas propostas. Medidas que preservam os trabalhadores e jogam a conta para quem mais lucrou nos últimos anos.

A matéria do jornal, mostra vários dados do IPEA para justificar o corte dos salários dos servidores. Porém, o que o texto não mostra é que, somente em 2019, os principais bancos brasileiros tiveram lucro líquido de quase R$ 60 bilhões. No entanto, em vez de sacrifícios, os bancos foram agraciados com uma “singela” ajuda de R$ 650 bilhões para enfrentar a Pandemia. Na maioria dos países do mundo, os governos estão aumentando seus investimentos no serviço público. Nesses locais, os governantes se deram conta de que somente com um serviço público eficiente e fortalecido, a sociedade será capaz de superar a pandemia e retomar a atividade econômica. Não é dando dinheiro para banqueiros e congelando salários dos servidores que conseguiremos superar esse momento, que é um dos mais difíceis da história do nosso país.

Foto: Miguel Noronha