Ocupa Brasília reúne 200 mil e termina em repressão do governo Temer

Que o governo Temer/PMDB está por um fio não é novidade para ninguém. Porém, as mobilizações desta quarta-feira (24) mostraram um lado perigoso da iminente queda de um dos governos mais breves e impopulares da história. A tentação em recorrer à repressão para se manter no poder é um risco que o país não pode aceitar.

eraldo_peres_repressaoA grande mobilização, convocada pelas Centrais Sindicais e os movimentos populares nesta quarta-feira (24), que contou com mais de 200 mil pessoas, imprensou ainda mais o governo na parede. Sua queda é questão de tempo. Porém, em um ato desesperado, digno de quem sabe que seus dias estão contados, Temer, com a cumplicidade do governo do DF, recorreu a atos de repressão de fazer corar o governo Sartori/PMDB. Cavalaria, bombas de efeito moral, spray de pimenta, balas de borracha e, para espanto geral, até mesmo armas letais, foram usadas para reprimir os manifestantes.

Enquanto o governo voltava todo seu aparato de repressão para manifestantes pacíficos, um pequeno grupo depredava os prédios de alguns ministérios, sob a complacência da polícia. Inexplicavelmente, a Força Nacional estava próxima ao local onde ocorriam as depredações, atrás dos ministérios, e nada fazia para deter um pequeno grupo de mascarados. No entanto, enquanto isso, a polícia militar do DF transformava a esplanada dos ministérios em uma verdadeira praça de guerra. Para quem estava lá, existia uma certeza: o objetivo do governo Temer era impedir a manifestação e causar um confronto que justificasse a intervenção das Forças Armadas. Uma indicação disso, é o fato do Decreto que convoca as Forças Armadas vir com a data de 24 de dezembro. Ou seja, já estava pronto desde o ano passado, esperando a hora certa para ser lançado.

ocupa_brasilia1Mesmo com a repressão do governo Temer, o Ato foi uma grande vitória dos movimentos contra as reformas da Previdência e Trabalhista. Os 200 mil manifestantes, que ocuparam Brasília, mostraram que não vão aceitar que um congresso e um governo completamente desmoralizados acabem com a aposentadoria dos trabalhadores. Se antes dessa quarta-feira qualquer discussão sobre as reformas já seria um absurdo, agora se torna algo totalmente inaceitável. Porém, a mídia comercial vai continuar batendo na tecla de que temos que salvar as reformas. Para isso, já estão começando a articular uma saída negociada para crise, com a eleição de um aliado em eleição indireta no congresso. Porém, ontem, os gtrabalhadores mostraram que não vão aceitar uma solução para a crise que não passe pela vontade popular. Sem eleições diretas já, não existe saída para a crise.

Policiais Civis gaúchos também foram vítimas da violência da polícia militar do DF

repressao_ugeirmCom uma delegação de 80 policiais civis, a UGEIRM participou do ato e, também, foi vítima da violência da polícia militar do DF. Vários colegas foram atingidos por balas de borracha e bombas de efeito moral. Alguns foram atendidos nos hospitais de Brasília. Por sorte, nenhum deles sofreu nenhum ferimento mais grave e foram liberados em seguida. Mas, nas palavras da diretora da UGEIRM, Neiva Carla, “não será a violência da polícia que nos fará recuar na defesa dos nossos direitos. Se o governo Temer pensa que usando bombas e balas nos fará sair das ruas, está muito enganado. Só descansaremos quando esse governo estiver fora do Palácio do Planalto e as reformas rejeitadas no Congresso.  Enquanto isso não acontecer, não daremos um minuto de sossego a esse governo ilegítimo e autoritário”. Os colegas que participaram do ato começaram a retornar para Porto Alegre nessa quinta-feira. O Presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, ressalta a importância da mobilização: “voltamos para Porto Alegre cansados e doloridos, mas com a certeza do dever cumprido. A unidade mostrada pelos trabalhadores aqui em Brasília, mostrou o caminho a ser seguido. Vamos continuar nas ruas, unidos pelo Fora Temer e eleições gerais já!”

eraldo_peres_faixaMídia comercial ataca mobilização para defender reformas

Desde a explosão do escândalo que envolveu o governo Temer, a mídia comercial tem insistido na tese de que a crise não pode impedir a aprovação das reformas. Então, não é de estranhar que a versão apresentada pelos principais jornais e TVs, para o ataque da polícia militar aos manifestantes nesta quarta-feira, seja no sentido de colocar a responsabilidade nos manifestantes. A versão de que eram um bando de vândalos, prontos para destruir o patrimônio público, e que provocaram um inevitável confronto com a polícia deu o tom das matérias sobre o ato. Isso não corresponde aos fatos.

Na verdade, um grupo de não mais do que 20 pessoas, furou o bloqueio da polícia e começou a depredar os ministérios. Porém, o mais estranho é que isso aconteceu em um local com um forte policiamento. Apenas uma pergunta: porque esse contingente gigantesco, capaz de dispersar uma multidão de mais de duzentas mil pessoas, não foi capaz de impedir um grupo de 20 pessoas depredarem três ministérios? Quem eram os principais interessados que o Ato acabasse em violência? Com certeza não eram os manifestantes. Porém, o dito jornalismo da imprensa comercial é incapaz de fazer tais perguntas. E o motivo é apenas um: seu interesse é defender as reformas e seus financiadores. Uma imprensa que é capaz de jogar um aliado antigo, como o presidente Michel Temer, aos leões, não vai hesitar em distorcer a realidade para defender os interesses dos seus verdadeiros patrões, o sistema financeiro e os grandes empresários. Enquanto isso, as reivindicações de 200 mil pessoas, que se deslocaram até Brasília para realizar o maior ato na Capital dos últimos 15 anos, ficou de lado e não mereceu nem menção da imprensa.

forcas_armadas_ocupa_brasiliaAcuado, Temer coloca as Forças Armadas no centro da disputa política

Apavorado e acuado pela mobilização popular, o governo Temer/PMDB cruzou um limite perigoso nesta quarta-feira (24). Ao editar um decreto que possibilita às Forças Armadas atuar com poder de polícia, Temer coloca a sua luta para se manter na presidência em outro patamar. A medida tem a clara intenção de amedrontar a oposição com uma possível intervenção militar na disputa política. Para justificar sua medida, o governo chegou, inclusive, a utilizar de uma mentira. Ao anunciar a medida, o Ministro da Defesa, Raul Jungman (PPS), alegou que estava atendendo um pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). Porém, Maia, aliado do governo Temer, foi em seguida para tribuna da Câmara para anunciar que não tinha pedido a intervenção das Forças Armadas. Após um tempo, o governo assumiu que a presidência da Câmara não havia pedido a intervenção das Forças Armadas.

ocupa_brasilia_geralOs acontecimentos desta quarta-feira mostraram que Temer não tem mais a mínima condição de governar. É um governo que já acabou. Por outro lado, esse Congresso também já se mostrou totalmente incapaz de encontrar qualquer saída para a crise, ao manter as discussões das reformas e virar as costas para a vontade da população. A única saída plausível, para o país voltar à normalidade, é o impeachment do governo Temer e a convocação imediata de eleições gerais. Somente com o povo assumindo a frente das decisões políticas, o país será capaz de sair dessa crise sem precedentes. Não serão acordos feitos por cima, com o único intuito de salvar a pele dos envolvidos, que resolverão a crise. Será o respeito à vontade popular, com um novo governo e um novo Congresso, que conseguirá retomar o caminho da democracia e do desenvolvimento do país.