Governo Temer/PMDB chantageia governadores para aprovar reforma da Previdência

Sob pressão dos empresários e do sistema financeiro, o governo Temer/PMDB jogou por terra todos os escrúpulos possíveis. Como a liberação de verbas, distribuição de cargos públicos, empréstimos camaradas em bancos públicos e leis sob encomendas para anistiar devedores não conseguiram garantir os votos necessários para aprovar a reforma da Previdência, o governo resolveu apelar para a chantagem explícita com os governadores. O Ministro Carlos Marun, também do PMDB, assumiu claramente que está chantageando os governadores com verbas públicas. Em declaração à imprensa, Marun disse que condicionar a liberação de verbas públicas para os estados à votação na reforma da Previdência é uma “ação de governo”.

A chantagem foi tão descarada, que oito governadores nordestinos enviaram uma carta ao presidente Temer/PMDB, ameaçando processar o ministro pelas suas declarações. A atitude do ministro Marun é apenas a face mais visível e caricata das ações do governo Temer/PMDB para aprovar a reforma da Previdência. Desde o ano passado, os cofres públicos foram literalmente saqueados para tentar convencer os parlamentares.

Reforma da Previdência é tábua de salvação para Fundos de Previdência e bancos

Esse desespero tem explicação. A pressão do sistema financeiro e das empresas de previdência privada vem se tornando cada vez mais intensa. Em agosto de 2017, o déficit dos Fundos Privados de Previdência era de mais de R$ 70 bilhões. A expansão do mercado é uma necessidade urgente. Par se ter uma ideia, em 2012 esse déficit era de R$ 9 bilhões. Em quatro anos, o rombo cresceu 700%. A não aprovação da reforma da Previdência pode significar a falência desse Fundos. A proposta que tramita no Congresso nacional pode ser a tábua de salvação do setor.

Para atender os Fundos de Previdência, grandes doadores de campanhas eleitorais, o governo Temer/PMDB não vai medir esforços. O ministro Carlos Marun só teve um ataque de sincericídio quando assumiu a chantagem sobre os governadores. Essa prática não é novidade para o governo Temer e o seu partido, o PMDB. Em janeiro as pressões vão se intensificar, pois o governo e os banqueiros sabem que essa é a última chance de aprovar a reforma da Previdência e se apoderar de um mercado bilionário, que pode salvar os Fundos de Previdência Privada.

Trabalhadores têm que intensificar a pressão sobre os parlamentares

Janeiro é o mês que os parlamentares utilizam para visitar suas bases eleitorais. Isso é mais intenso em anos eleitorais, como 2018. Para os (as) trabalhadores (as), essa é uma oportunidade única para dar um choque de realidade nos parlamentares. A população tem que mostrar aos deputados que o voto na reforma da Previdência vai significar a sua derrota nas eleições de 2018. Os Fundos de Previdência têm o poder econômico e o dinheiro que financia as campanhas eleitorais. Mas quem tem os votos são os (as) trabalhadores (as). E é isso que tem que ser mostrado agora em janeiro, quando os parlamentares estiverem nas suas bases eleitorais.

Se a reforma da Previdência não foi aprovada até agora, mesmo com todo o dinheiro público despejado pelo governo Temer/PMDB, isso se deve ao medo que os parlamentares têm de ter seus nomes vinculados ao fim da aposentadoria. O papel dos (as) trabalhadores (as) é mostrar que isso é verdade, quem votar a favor da reforma da Previdência vai ficar marcado para sempre como quem acabou com a aposentadoria dos trabalhadores (as).