Operação Zelotes chega até Grupo Gerdau

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Na manhã desta quinta-feira (25), a Polícia Federal deflagrou mais uma etapa da Operação Zelotes. Desta vez o alvo é o Grupo Gerdau. Foram expedidos 22 mandados de condução coercitiva e 18 de busca e apreensão, nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Distrito Federal. Um dos mandados de condução coercitiva é para o presidente-executivo da Gerdau, André Gerdau Johannpeter, que não foi encontrado. A Operação Zelotes investiga fraudes relacionadas ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

Em comunicado, a Polícia Federal afirma que a empresa gaúcha celebrou contratos com escritórios de advocacia e de consultoria, “os quais, por meio de seus sócios, agiram de maneira ilícita, manipulando o andamento, a distribuição e decisões do Carf, visando obter provimento de seus recursos e cancelamento da cobrança de tributos em seus processos”. O Grupo Gerdau é suspeito de sonegar até R$ 1,5 bilhão e, de acordo com informações da PF, evidências apontam que a prática dos crimes investigados teria continuado mesmo após a deflagração da operação em março de 2015. Em comunicado, a Gerdau afirmou que está colaborando com as investigações e nega participação em qualquer atividade ilegal.

A Operação Zelotes

Deflagrada em março de 2015 pela Polícia Federal, a Operação Zelotes investiga um dos maiores esquemas de sonegação fiscal da história do país. A Operação investiga a atuação de quadrilhas junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Receita Federal (Carf), que usariam de corrupção para reverter ou anular multas. 74 julgamentos do conselho, entre 2005 e 2013, estão sendo analisados. Nestes julgamentos, R$ 19,6 bilhões teriam deixado de ser recolhidos aos cofres públicos.

O Carf é um órgão ligado ao Ministério da Fazenda, composto por 216 conselheiros em turmas de seis membros. Ele julga em segunda instância recursos administrativos fiscais relativos a tributos cobrados pela Receita Federal. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os integrantes do esquema de corrupção escolhiam processos de grande valor que estavam na pauta do órgão, buscando, em seguida, oferecer uma solução conveniente às companhias em troca de dinheiro.

Os operadores atuavam no fluxo dos processos, recorrendo à corrupção de conselheiros. Parte dos conselheiros envolvidos, segundo o MPF, era do Ministério da Fazenda, mas a maioria pertencia ao Sistema S, que compreende entidades voltadas ao treinamento profissional, entre as quais estão Senai, Sesc, Sesi e Senac.

Entre as empresas investigadas na operação estão os grupos gaúchos Gerdau, RBS, Mundial-Eberle e Marcopolo. O Carf tem R$ 516 bilhões em processos para julgamento. Em média um processo leva oito anos para ser julgado.

Com informações dos sites: www.correiodopovo.com.br e www.brasil247.com.