Pavio do barril de pólvora das carceragens está cada vez menor

19 presos se amontoavam na carceragem do Palácio da polícia | Foto: Mateus Ferraz
19 presos se amontoavam na carceragem do Palácio da polícia | Foto: Mateus Ferraz

 

A tragédia anunciada das carceragens das delegacias do estado, que vem sendo denunciada pela UGEIRM/Sindicato, está cada vez mais próxima de acontecer. Na manhã desta sexta-feira (13), 19 presos, amontoados na carceragem da 2ª DPPA de Porto Alegre, atearam fogo em uma cela que fica no Palácio da Polícia, em plena Avenida Ipiranga, e só comporta quatro pessoas. Os presos, alguns a mais de 48 horas na carceragem, se revoltaram por estar sem condições de higiene e alimentação adequada. Os policiais civis de plantão precisaram acionar o Grupo de Operações Especiais para acalmar a situação. Após o início do incêndio, os policiais começaram a pressionar os presídios por vagas e conseguiram transferir os presos. Devido ao tumulto e à gritaria dos presos, algumas pessoas que se dirigiam à DPPA, para registrar ocorrência, desistiram com medo de uma rebelião.

Com a chegada do fim de semana a situação deve se repetir. Uma policial, que estava no plantão, declarou que já sabe que, quando voltar para o próximo plantão no sábado à noite, vai encontrara a carceragem lotada de novo. Infelizmente essa situação já está se tornando uma rotina. Novamente teremos mais um tumulto, com risco para os policiais do plantão, e vai ser necessário implorar nos presídios por vagas para transferir os presos. Talvez a rotina só seja quebrada quando alguém morrer, seja um preso ou mesmo um policial. O risco de uma tentativa de resgate de presos é uma realidade e preocupa os policiais.

As DPPAs não possuem estrutura de segurança para abrigar presos e todo mundo sabe. Neste caso, o comentário da policial é verdadeiro: “se o governador passasse meia hora aqui, com os presos amontoados na carceragem, com certeza ele tomaria alguma providência”. No momento em que a equipe da UGEIRM estava no local averiguando a carceragem, o delegado Edilson Paim, Diretor do Departamento de Polícia Metropolitana, também foi ver a situação e afirmou que não existe a mínima condição de abrigar presos nas carceragens das delegacias. Ou seja, todos sabemos que a situação é insustentável, mas ninguém é capaz de tomar alguma providência. A UGEIRM já se reuniu com a OAB, com a AJURIS, com o Secretário de Segurança e com o diretor do TJ, todos se mostraram indignados e preocupados, mas a situação só se agrava. O governador faz ouvidos de mercador e, como em todas situações, culpa a crise financeira do Estado. A UGEIRM já tentou várias medidas judiciais para evitar essa situação, infelizmente o judiciário não se sensibilizou até agora. Quando o primeiro cadáver aparecer, todos se mostrarão consternados, mas uma vida já terá se perdido. As providências precisam ser tomadas agora!

Policiais Civis se transformam em carcereiros

O déficit de policiais no RS é grave e todos sabem disso. Porém, o governo Sartori/PMDB, além de não chamar os 650 candidatos já aprovados no último concurso da polícia civil, criou mais uma função para os agentes: carcereiro de delegacias. Quando a UGEIRM esteve na 2ª DPPA, constatou que os policiais que deveriam estar efetuando o trabalho de investigação, estavam preocupados em contornar a situação das carceragens. Todo o plantão é consumido na tentativa de conseguir vagas para transferir os presos. Afinal, é uma situação de emergência, que está colocando em risco a vida dos policiais e da população que vai até a DPPA. Enquanto isso a população fica carente do serviço primordial da polícia civil, que é a investigação e elucidação de crimes.

O governo Sartori/PMDB faz propagandas caríssimas na televisão, exaltando a sua atuação na segurança pública, através das operações policiais midiáticas. Porém, não consegue fazer o mínimo que se exige de qualquer política de segurança: vagas nos presídios para colocar os criminosos presos pela polícia. Quando a tragédia acontecer, ela terá um responsável principal: o governador José Ivo Sartori/PMDB.