PEC que possibilita venda do Banrisul, CORSAN e PROCERGS pode ser votada nessa semana

O Governo do estado pode colocar em votação, ainda essa semana, a PEC 280, do deputado Sergio Turra (PP), que retira da Constituição Estadual a exigência da realização de um plebiscito para a venda das estatais gaúchas. A PEC já cumpriu todas as etapas da tramitação e pode entrar em pauta, com regime de urgência, para ser votada imediatamente. A decisão sobre a pauta da semana acontecerá na reunião de Líderes desta terça-feira (27).

Para vencer as eleições, o então candidato Eduardo Leite se comprometeu, de forma contundente, em não vender o patrimônio dos gaúchos. Então, qual a justificativa para acabar com a exigência de plebiscito para a venda das estatais? Se o governo pretende vender alguma estatal, porque não consultar a população?

O principal alvo do governo, é a Corsan, empresa que é responsável pelo abastecimento de água e saneamento em 317 municípios gaúchos. Vender essa empresa, no meio de uma pandemia e sem consultar a população, é uma atitude que não condiz com o discurso democrático do governo. Se o governo se dispusesse a discutir a entrega da Corsan, com certeza seria defrontado com o fato de que os estados e países que privatizaram seus serviços de saneamento e fornecimento de água, estão voltando atrás e reestatizando suas empresas. Um exemplo do que pode significar a privatização da água, é a cidade de Uruguaiana que, após a privatização, mais que dobrou o preço cobrado pelo serviço, sem a ampliação do saneamento e fornecimento de água. Na verdade, é desse debate que o governo está fugindo e, para isso, retira da população o seu direito sagrado de decidir sobre o patrimônio público.

PEC também prepara a venda do Banrisul

Essa PEC se torna ainda mais absurda, quando coloca a privatização do Banrisul na alça de mira do governo. Se lembrarmos o papel desempenhado pelo Banrisul durante todo o período de atraso de salários dos servidores estaduais. Basta imaginarmos, como teria sido a vida dos (as) Policiais Civis caso não existissem os adiantamentos de salários, e veremos o que pode significar a privatização do banco estadual.

Por isso, é dever de todos os cidadãos gaúchos pressionar os parlamentares, mostrando que o mínimo que exigimos, é o direito de decidir sobre a venda do nosso patrimônio. Acabar com o plebiscito, é vetar o debate sobre ações governamentais que são vitais para a população, como a privatização da água e do Banco Estadual. Temos que lembrar aos deputados estaduais, que no próximo ano teremos eleições e não esqueceremos de quem retirou do povo gaúcho o direito de decidir sobre o seu futuro!