Pesquisa de Vitimização com Policiais Civis levantará condições de trabalho da categoria

A UGEIRM estabeleceu uma parceria para a realização de uma Pesquisa de Vitimização direcionada aos (às) Policiais Civis gaúchos (as). O objetivo é levantar as reais condições de trabalho na Polícia Civil do Rio Grande do Sul e traçar as necessidades dos profissionais da Instituição. A pesquisa será conduzida pela pesquisadora Danyelle Alves Pacheco Pereira, pós-graduanda pela Unisinos e Coordenadora Regional Sul da Rede Brasileira de Saberes Descoloniais. Para participar da pesquisa, os (as) policiais deverão preencher os formulários disponíveis na plataforma GoogleForms (https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSf8s5v6j3ZyD4OMWvuWZ1XNisOP87tQTO3k9q_Mt0sjulbW3A/viewform?usp=sf_link), que garantirá uma total privacidade e anonimato dos (as) participantes.

No momento em que os (as) Policiais Civis sofrem um grande ataque do governo, com ameaças concretas a direitos históricos da categoria, esse tipo de pesquisa, que objetiva levantar as reais condições de trabalho desses profissionais, é uma ferramenta fundamental para a luta da categoria. Dar respostas embasadas ao governo e mostrar para a sociedade que, mesmo com as precárias condições de trabalho, os profissionais da segurança pública executam um trabalho de alta qualidade e importância para sociedade, pode ser a diferença entre a vitória e a derrota da nossa mobilização.

Abaixo publicamos uma breve entrevista com Danyelle Alves Pacheco, explicando o que significa e como será realizada a pesquisa.

UGEIRM – O que é uma pesquisa de vitimização?
Danyelle – Pesquisas de vitimização são recursos muito empregados em todo o mundo para produção de diagnósticos mais precisos sobre situações de desrespeito, violência e/ou crime que afetam a população. Normalmente, esse instrumento é empregado para se medir tendências criminais, já que os registros de ocorrência nunca são representativos do fenômeno criminal, por conta da subnotificação (a maior parte das pessoas atingidas pelo crime não registra ocorrências). No caso da realidade específica vivida por grupos ou categorias profissionais, as pesquisas de vitimização podem revelar realidades ainda não conhecidas, porque parte importante da violência sofrida por esses grupos também não se transforma em registro de qualquer tipo. Ademais há dados que indicam inconsistências se confrontados com a realidade dos fatos; somando a isto, há a dificuldade de acesso às fontes.

UGEIRM – Porque fazer uma pesquisa de vitimização com profissionais da segurança pública?
Danyelle – Por dois motivos: primeiro, porque os policiais são, frequentemente, também vítimas da violência, do preconceito e de outras práticas que atentam contra os seus direitos humanos, circunstâncias que são ainda pouco conhecidas no Brasil. Trata-se, então, de conhecer melhor essa realidade que segue sendo “varrida para debaixo do tapete”. O segundo motivo é o de encontrar evidências que permitam o delineamento de políticas públicas eficientes de promoção da dignidade dos policiais.

UGEIRM – Como os resultados dessa pesquisa poderão auxiliar no trabalho cotidiano dos policiais?
Danyelle – Nossa expectativa é de que os dados obtidos pela pesquisa promovam o conhecimento sobre a realidade de vitimização dos policiais. Isso será importante para que a sociedade possa ter uma visão mais ampla e complexa a respeito da realidade dos profissionais que lhe oferecem proteção e que, não raro, estão totalmente desprotegidos. Na medida em que houver essa consciência, muito se poderá atuar de forma estrategica avançando na criação de políticas públicas que amparem os profissionais da segurança. Penso, mesmo, que o próprio debate sobre a previdência dos policiais poderá ser impactado pela consciência da vitimização.

UGEIRM – Existe alguma outra experiência de pesquisa com profissionais da segurança pública?
Danyelle – Sim, internacionalmente, temos muitos estudos, incluído vários trabalhos que avaliaram os riscos e a vitimização de policiais. No Brasil, há alguns poucos trabalhos, entre eles destaco o estudo realizado em 2009 para o Ministério da Justiça “O que pensam os profissionais da Segurança Pública no Brasil” e o estudo de 2016, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sobre Vitimização Policial.

UGEIRM – Quando começarão as pesquisas e qual o prazo para publicação dos resultados?
Danyelle – A parte mais difícil é a da coleta dos dados, porque dependemos do engajamento dos policiais. Penso, entretanto, que a acolhida que tivemos na UGEIRM é um sinal de que poderemos ter uma ótima taxa de retorno para os questionários. A ideia é a de realizar todo o trabalho nesse semestre ainda – mais precisamente até a primeira quinzena de novembro.

UGEIRM – Como serão feitas as entrevistas para a pesquisa?
Danyelle – Pretendemos trabalhar com dois instrumentos: um questionário com a pesquisa de vitimização, mediante link para a plataforma Google Forms, que poderá ser remetido por e-mail ou pelo WhatsApp. Esse instrumento é absolutamente anônimo. Paralelamente, pretendemos montar alguns grupos focais para uma parte mais qualitativa do estudo.