Polícia Civil de luto: colega é morto durante operação policial

A manhã desta sexta-feira ficará marcada pela imagem de mais um colega morto durante o cumprimento do seu dever. O colega Rodrigo Wilsen da Silveira foi atingido quando participava de uma operação contra o tráfico de drogas em Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre. O escrivão Rodrigo Wilsen da Silveira era chefe de investigação da 2ª DPPA de Gravataí. O mais cruel, a sua esposa e também policial, Raquel Biscaglia, estava na mesma operação e presenciou a tragédia.

Neste momento, vários sentimentos vêm à tona, porém, a principal preocupação dever ser prestarmos toda solidariedade e apoio à família do colega Rodrigo, em particular à sua esposa, a policial Raquel Biscaglia, que, assim como Rodrigo, estava cumprindo o seu dever de combater a violência e oferecer proteção á população.

Morte de Rodrigo não pode ser apenas um número nas estatísticas

No dia 16 de julho de 2015, os policiais civis gaúchos também eram tomados pela dor da perda de um colega durante o cumprimento do seu dever. O agente Valdeci Machado foi morto quando perseguia um bandido em Alvorada. No dia seguinte, o RS presenciou uma das maiores demonstrações de solidariedade da polícia do estado. Porém, de lá para cá nada foi feito pelo poder público para combater a origem daquela situação. E mais grave: a situação só piorou.

Rodrigo Wilsen é vítima dessa situação, que desvaloriza o trabalho policial, desmonta as condições de trabalho, faz os agentes de polícia trabalharem de carcereiros nas delegacias, além de atrasar os salários. Os policiais são submetidos a jornadas extensas, com a participação quase diária em operações, em uma escala quase industrial. Convenhamos que isso, em se tratando do trabalho policial, é algo muito perigoso e merece ser melhor avaliado dentro de uma política de segurança pública.

Infelizmente, a morte do Valdeci não serviu para alterar a situação em que os policiais estão colocados. Mas não podemos deixar que o drama e a tragédia que abateu Rodrigo, sua família e todos os policiais civis, seja em vão. Os policiais civis, colegas de Rodrigo e de Raquel, têm o dever moral de não deixar essa morte cair no esquecimento. Não é possível, para os policiais, conviverem mais com essa situação.

Policiais farão sirenaço às 16h e suspenderão operações por sete dias

A primeira medida que os policiais tomarão, será externar para a população gaúcha a sua indignação e solidariedade à morte de Rodrigo Wilsen. As viaturas policiais de Porto Alegre se encaminharão para a frente do Palácio da Polícia, na Avenida Ipiranga onde, a partir das 16h, será realizado um grande sirenaço, de três minutos, em homenagem a Rodrigo Wilsen e em protesto contra as condições de trabalho na Polícia Civil. Após o sirenaço, as viaturas partirão em carreata para o velório, que acontecerá no cemitério São João, na Zona Norte de Porto Alegre. Nas delegacias do interior, os policiais fecharão as portas e realizarão um sirenaço no mesmo horário.

Além da homenagem de hoje, os policiais civis suspenderão todas as operações policiais durante sete dias, como forma de marcar o luto pela morte de Rodrigo Wilsen. O presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, esclarece que “ a suspensão da participação nas operações policiais por sete dias, é uma forma de demonstrarmos para a sociedade gaúcha nosso luto pela morte do colega Rodrigo Wilsen. Não podemos deixar que a morte do colega Rodrigo caia no esquecimento. Quando o Valdeci foi morto, toda a sociedade gaúcha se comoveu, porém, nenhuma atitude foi tomada pelo governo para combater as causas daquela tragédia. Agora, não podemos esperar que mais um colega seja morto durante o cumprimento do seu dever, para cobrarmos atitudes concretas do governo do estado. Vamos exigir medidas concretas para que não se banalize a morte de policiais, como, infelizmente, acontece no Rio de Janeiro. O ataque à vida de um policial é um ataque a toda a sociedade e dessa forma deve ser tratada”.