Policiais Civis sem salários, mas com muitas metas a cumprir

Desde o início do seu mandato, o governo Sartori/PMDB adotou o parcelamento de salários como política de governo. Neste mês já foi o 18º parcelamento, com um agravante: se antes os salários eram integralizados até o dia 13, neste mês a previsão é de uma demora muito maior. Hoje, dia 9, os servidores receberam apenas R$ 1.100,00 e não há, ainda, previsão de novos pagamentos.

Essa situação, de acordo com o próprio governo, tende a se agravar no próximo mês, com um provável encontro das folhas de pagamento. Esse discurso e essa prática tem servido para o principal objetivo do governo, que é fechar a renegociação da dívida do RS com a União. Esse acordo interessa à política de Estado mínimo do governo Sartori/PMDB. Com o argumento da exigência de contrapartidas pela União, o governo insiste na privatização da CEEE e prepara a venda da Corsan e, até mesmo, do Banrisul. Além das privatizações, o acordo da dívida pode congelar os salários dos servidores por seis anos e cancelar os reajustes já aprovados, inclusive da Tabela de Subsídios dos servidores da segurança pública.

Por outro lado, o governo intensifica cada vez mais a pressão por metas. Mesmo com salários parcelados, a pressão sobre os Agentes, para o alcance de metas quantitativas se torna quase insustentável. Na ânsia de dar respostas à mídia, que cobra ações do governo na área da segurança pública, ele pressiona os policiais por resultados numéricos. Através do programa Qualificar, que poderia ser chamado de Quantificar, os gestores impõem a exigência de aumento na produção cartorária para a Polícia Civil. Seguindo a lógica da produção em série, tentam aumentar os números de inquéritos e indiciamentos de qualquer forma. No meio disso tudo, assistimos uma categoria desestimulada, com um efetivo cada vez mais reduzido, tendo que se desdobrar entre a participação nas Operações, o trabalho de carcereiro nas DPPAs e o aumento da produção e conclusão de inquéritos. O resultado são policiais cada vez mais estressados e doentes, o que significa um risco cada vez maior no trabalho policial.

Para o presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, “esse momento é decisivo para os policiais gaúchos. Se continuarmos trabalhando como se nada estivesse acontecendo, logo estaremos com um mês de salário atrasado e, para piorar, sem o nosso reajuste que temos programado para novembro. Além dos salários, nossas promoções, como diziam os mais velhos, também já ‘subiram no telhado’. O Secretário Chefe da Casa Civil, já avisou que as promoções só sairão quando existir disponibilidade financeira. O que não está no horizonte do governo Sartori/PMDB. Por isso, temos que intensificar a Operação Padrão e, de uma vez por todas, questionar as metas impostas de forma arbitrária pelo programa Qualificar.

Ortiz aponta a mobilização como único caminho. “O governo está radicalizando os ataques aos policiais civis, se não respondermos na mesma intensidade veremos nossos direitos serem retirados um a um. Primeiro é o parcelamento de salários, nossas promoções já foram suspensas, depois vão retirar a aposentadoria e, em seguida, o reajuste da Tabela de Subsídios. Nossa única arma é o nosso trabalho. Temos que nos mobilizar agora e mostrar que a verdadeira Qualificação da Polícia é o respeito aos policiais, com salários em dia, promoções e direito a uma aposentadoria digna. O dia de reivindicar esses direitos é 17 de agosto, às 14h, quando teremos a reunião onde o governo vai apresentar sua posição sobre a nossa aposentadoria. Vamos lotar a Praça da Matriz e, no interior, vamos fazer vigílias na frente das delegacias mostrando à população o que o governo está fazendo com a polícia”, conclui Ortiz.