Policiais ocupam Brasília e exigem manutenção da aposentadoria policial

Fotos: Luiza Castro

Milhares de policiais, de todo o país, ocuparam a capital federal nesta terça-feira (21), para protestar contra a reforma da Previdência. A manifestação, convocada pela UPB (União dos Policiais do Brasil), teve como objetivo defender o direito à aposentadoria policial e repudiar as propostas contidas na reforma da Previdência, enviada pelo governo Bolsonaro ao Congresso Nacional.

Os policiais começaram a chegar em Brasília na manhã da terça-feira. Os quarenta Policiais Civis gaúchos, que viajaram do Rio Grande do Sul para defender a aposentadoria policial, chegaram em duas turmas no fim da manhã. No início da tarde, portando faixas e gritando em alto e bom som que não aceitarão ter seus direitos atacados, se encaminharam para a Esplanada dos Ministérios se juntando aos policiais do Brasil inteiro. Um dos pontos altos da manifestação, foi quando centenas de cruzes foram colocadas no gramado da Esplanada, simbolizando os policiais mortos em serviço e que não mais terão amparo para as suas famílias, caso a reforma da Previdência seja aprovada pelo Congresso.

O sentimento reinante entre os manifestantes era de revolta e indignação pelo desrespeito demonstrado pelo governo. Uma das palavras mais pronunciadas durante os discursos dos dirigentes sindicais, era traição. Ninguém admitia que um governo, eleito com a bandeira de defesa dos policiais, pudesse enviar ao Congresso um projeto que acaba com os direitos mais básicos, como o reconhecimento do risco de vida, o direito a uma pensão digna aos familiares dos policiais mortos em serviço e uma aposentadoria digna.

A grande reivindicação apresentada durante a manifestação, foi a incorporação da Emenda apresentada pela UPB, que garante a Paridade e a Integralidade, no relatório final da Comissão Especial que analisa a PEC 06/2019 na Câmara dos Deputados. Outros pontos levantados por grande parte dos manifestantes, foram a retirada da proposta de implantação do regime de capitalização para a Previdência Social, a desconstitucionalização das regras da Previdência e a implantação da alíquota extra de até 8% para os servidores públicos.

O Presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, que estava em Brasília, salientou a importância dessa manifestação para o futuro dos policiais brasileiros. “Esse dia 21 de maio ficará marcado como o momento em que os policiais levantaram sua voz contra esse verdadeiro ataque à Segurança Pública que significa a Reforma da Previdência. A categoria deu uma verdadeira demonstração que não aceitará calada que sua aposentadoria seja atacada. Estamos ocupando as ruas para defender o direito mais básico de qualquer trabalhador, que é uma aposentadoria digna. A presença de 40 policiais civis gaúchos no Ato, que responderam ao chamado da UGEIRM e deixaram seus compromissos para defender o direito de todos os policiais, mostra que nossa categoria não vai abaixar a cabeça para nenhum governo. O nosso compromisso é com a segurança pública e com os direitos de todos os policiais. Vamos continuar indo para as ruas e pressionando os parlamentares para acatar a Emenda da UPB. Ao mesmo tempo, vamos nos unir a todos os trabalhadores para barrar a implantação do regime de Capitalização e a desconstitucionalização da Previdência. Toda a categoria deve parabenizar esses bravos colegas que estiveram em Brasília, pois é essa disposição de luta que vai garantir que nossos direitos sejam respeitados”.