Policial Civil é proibida de receber homenagem na Câmara dos Vereadores de Bagé

A Policial Civil Patrícia Coradini é reconhecida na cidade e Bagé e em boa parte do estado, como uma das principais ativistas da causa animal. Devido a sua atuação nessa área, foi homenageada pela vereadora Maria Beatriz (PSB) na Câmara dos Vereadores da cidade de Bagé, com o título de Cidadã Bageense. O título foi concedido no ano passado, porém, devido à Pandemia, a entrega do título não pode ser realizada. Com a retomada dos trabalhos presenciais, a vereadora tentou marcar, novamente, a solenidade. Infelizmente, um grupo de vereadores, ligados ao prefeito, resolveu fazer uma retaliação política à colega e não autorizou a realização da solenidade de entrega do título. De acordo com Patrícia Coradini, a retaliação é decorrente da sua atuação que, em muitos momentos, criticou a atuação do prefeito em relação à causa animal, particularmente à política de esterilização de animais.

Independente do posicionamento político da colega, a atitude dos vereadores da bancada governista configura um claro atentado à democracia. Proibir a Policial Civil Patrícia Coradini de receber um título, democraticamente concedido, nas dependências da Câmara dos Vereadores demonstra que a Casa é um espaço que não comporta o direito ao contraditório e à crítica. A Câmara dos Vereadores não é propriedade dos parlamentares, ela é a Casa do Povo e deve ser tratada como tal.

Diante da proibição, a Vereadora Beatriz resolveu fazer uma solenidade de entrega do título, nessa segunda-feira (28), em frente à Câmara dos Vereadores de Bagé. A solenidade será uma manifestação de desagravo e contará com a participação de várias entidades representativas da cidade, particularmente das defensoras da causa animal, e dos (as) colegas da Polícia Civil. A UGEIRM estará representada na solenidade, prestando seu apoio à Policial Civil Patrícia Coradini.

Para o Presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, “esse caso é uma demonstração do que pode acontecer se for aprovada a Reforma Administrativa. Com o fim da estabilidade, não será apenas o direito de receber um título na Câmara que estará ameaçado. O próprio emprego dos servidores que se manifestarem politicamente estará ameaçado. Imaginem vereadores e prefeitos com o poder de demitir e contratar os servidores que quiserem? Somente os amigos do rei comporão o serviço público. Ou alguém acredita que prefeitos acusados de corrupção, tolerarão que servidores públicos, como os policiais, levem a frente alguma investigação de corrupção. Os que quiserem manter sua integridade, serão sumariamente demitidos”.

Isaac Ortiz, hipoteca a solidariedade do sindicato a colega de Bagé: “A UGEIRM se posiciona ao lado da colega. Não é apenas a Patrícia que está sendo atacada. Toda a Polícia Civil e a sociedade gaúcha é atacada, quando a Câmara dos Vereadores é utilizada para defender interesses particulares. A UGEIRM, como fez em toda a sua história, estará sempre ao lado da democracia e contra aqueles que querem aparelhar o Estado!”