Prédio da Secretaria de Segurança Pública desaba após incêndio na noite desta quarta (14)

Um incêndio de grandes proporções destruiu completamente o prédio da Secretaria de Segurança Pública do estado, culminando com o desabamento da edificação, no final da noite desta quarta-feira (24). As causas do incêndio ainda estão sendo investigadas pelo Corpo de Bombeiros.

O prédio abrigava diversos órgãos estratégicos ligados à Secretaria de Segurança Pública. A Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários), o IGP (Instituto-Geral de Perícias) e o Detran (Departamento Estadual de Trânsito) ocupavam o edifício, localizado na região central de Porto Alegre. Além desses órgãos, também estavam abrigados no prédio, o gabinete do Secretário de Segurança Pública, direções de departamentos e a base do Departamento de Controle e Comando Integrado (PCCI). O início do incêndio foi registrado pouco antes das 22h de quarta, com o fogo sendo totalmente controlado apenas na manhã desta quinta-feira (15).

Durante o combate ao fogo, dois bombeiros que atuavam no interior do prédio desapareceram. De acordo com o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel César Eduardo Bonfanti, as buscas pelos militares iniciarão quando houver condições de segurança para os servidores que serão envolvidos neste trabalho. O comandante informou que “existiam equipes combatendo incêndio interna e externamente. Um dos desaparecidos era o oficial de serviço responsável pela atividade operacional do dia. Outro trabalhava no comando e veio de forma voluntária auxiliar as guarnições”. O presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, manifestou sua solidariedade a todos os colegas do Corpo de Bombeiros, “esses dois bombeiros morreram no cumprimento do seu dever e tentando salvar vidas. A UGEIRM manifesta sua solidariedade a todos os bombeiros e, particularmente, à família e amigos dos dois militares que perderam sua vida”.

Incêndio acende sinal de alerta na Polícia Civil
Parede da delegacia de Santo Ângelo

O trágico incêndio, ocorrido no prédio da SSP, acende um sinal de alerta na Polícia Civil. A situação precária de várias Delegacias do estado, alerta para a possibilidade dessa tragédia se repetir em outros locais no nosso estado. Um caso exemplar, foi a 2ª DP de Novo Hamburgo, que chegou a ser considerada a pior delegacia do Rio Grande do Sul. Na época, o prédio contava com fiação exposta, paredes com rachaduras que davam a impressão que poderiam desabar a qualquer momento, infiltrações que tomavam toda a parede, um cheiro de mofo insuportável, condições sanitárias dignas de um prédio abandonado e o risco permanente de incêndio, devido às precárias instalações elétricas. À época, abril de 2019, a direção da UGEIRM pediu ao MP a interdição da DP, alegando exatamente o risco da ocorrência de um incêndio.

Risco de incêndio na Delegacia de Santo Ângelo

Como a 2ª DP de Novo Hamburgo, várias Delegacias e prédios que abrigam departamentos da Polícia Civil, onde existe grande circulação de Policiais, encontram-se em estado crítico, colocando em risco a vida dos (as) Servidores (as) que atuam nesses locais. Casos de edificações sem PCCI é quase a regra, como por exemplo a Delegacia de Santo Ângelo, que está literalmente caindo aos pedaços. A direção do sindicato vai encaminhar ao governo do estado, um pedido para que seja feito um levantamento detalhado da situação física das delegacias e departamentos da instituição no estado, incluindo o Palácio da Polícia, visando a implementação de um plano de recuperação das instalações que necessitarem de reformas.

O Vice-presidente da UGEIRM, Fabio Castro, alerta que “o incêndio da Secretaria de Segurança Pública não pode ser encarado apenas como uma fatalidade. O incêndio levou de forma trágica a vida de dois bombeiros e deve servir de alerta ao poder público, fazendo-o a tomar providências que evitem novas tragédias. O governo tem a obrigação de garantir a segurança dos policiais e, para isso, é fundamental que os prédios estejam com a sua estrutura em perfeito estado. O incêndio da SSP aconteceu durante a noite, o que reduziu o risco aos trabalhadores. E se esse incêndio tivesse ocorrido durante o dia, com o prédio cheio? Poderíamos ter tido uma tragédia de proporções ainda maiores”.

Foto do incêndio: Rodrigo Ziebell / GVG/Divulgação