Presos superlotam celas da DPPA de Alvorada há quase 2 anos

Os policiais civis da DPPA de Alvorada, na região metropolitana do estado, já não sabem mais a quem apelar para resolver o problema que já se arrasta há quase dois anos. Na última semana, a situação chegou a níveis insuportáveis. Um dos presos chegou a permanecer detido na DPPA por 17 dias, só sendo transferido nesta terça-feira (13), outro se encontra na sala de retenção há 12 dias. Essa sala, que deveria ser usada apenas para conter os presos durante o tempo necessário para os procedimentos de polícia judiciária, não possui a mínima condição de ser usada como cela.

Em 2017, presos detidos em viatura policial em Alvorada

Apesar dos esforços dos policiais civis lotadas na delegacia, o local não dispõe de alimentação, higiene pessoal, local para banho, aeração adequada da cela, local para visitas ou para os presos dormirem, muito menos enfermaria ou algo semelhante. Os presos ficam detidos como animais, enjaulados. Seus gritos assustam as pessoas que recorrem à delegacia para registrar ocorrência, tornando simplesmente insuportável o ambiente de trabalho. Os profissionais precisam interromper, seguidamente, seus trabalhos de polícia judiciária para contornar situações que podem descambar para riscos à população e aos próprios policiais.

Apesar dessa situação já ser de conhecimento de todas as autoridades, tendo sido objeto de matéria de repercussão nacional nos veículos de comunicação, nenhuma providência foi tomada até agora. A UGEIRM já recorreu, até mesmo, à Organização dos Estados Americanos, quando denunciou o governo do estado pelas condições das carceragens das delegacias gaúchas. No entanto, a situação perdura no nosso estado.

Em Alvorada, além dos presos permanecerem por semanas na sala de contenção, a situação se agrava quando se esgotam os espaços físicos para manutenção dos detidos. Quando isso acontece, a Brigada Militar é obrigada a fazer a custódia dos presos dentro de viaturas. Essa situação retira os policiais das ruas, agravando ainda mais a escassez de contingente para o policiamento ostensivo, em uma das cidades com os maiores índices de criminalidade em todo o país. Há pouco tempo foram registrados casos de presos que permaneceram por mais de 30 dias algemados em viaturas policiais. Enquanto isso, outros permaneciam jogados no saguão da DPPA, causando prejuízos para os serviços e atentando contra a vida dos policiais. Alguns desses presos eram portadores de doenças contagiosas, como tuberculose, feridas abertas e cortes expostos e infeccionados.

O vice-presidente da UGEIRM, Fábio Castro, diz que o sindicato vai continuar denunciando e cobrando das autoridades uma solução definitiva. “Um dos principais desafios do novo governo, que toma posse no dia 1º de janeiro, será resolver de uma vez por todas a situação dos presos nas delegacias. Isso não pode perdurar e a solução tem que ser imediata, sob risco de mais uma tragédia no nosso estado. Expor policiais a essa situação atenta contra o bom senso e qualquer noção de humanidade. Além de um desrespeito aos policiais, a população é diretamente atingida. No caso de Alvorada, a delegacia já está interditada para o recebimento de novos presos. Com isso, os policiais militares terão que permanecer na custódia de novos presos, diminuindo a segurança da população e aumentando os índices, já insuportáveis, de violência”.