Prisão de policiais em greve no RN é atentado contra a democracia e a segurança pública

No Rio Grande do Norte, os (as) Policiais Civis estão enfrentando um atraso de salários que já chega ao terceiro mês, além de não terem recebido o 13º salário.  As imagens da situação das delegacias e viaturas revelam a completa falência da segurança pública naquele estado. Diante dessa situação absurda, os (as) agentes da segurança pública daquele estado deliberaram por iniciar uma greve

A partir da decisão dos (as) policiais do Rio Grande do Norte, desencadeou-se uma verdadeira operação de perseguição aos grevistas. O ápice dessa perseguição, se deu no domingo (31), quando um desembargador do Tribunal de Justiça determinou a prisão em flagrante dos integrantes da segurança pública que promovam, incentivem ou colaborem para a continuação da greve de policiais. Em resposta a essa atitude arbitrária, vários policiais, com algemas nos punhos, se apresentaram para serem presos. Denunciando a situação atual da segurança pública no estado.

A responsabilidade pela crise que se instalou no RN, não é dos agentes da segurança pública. Pelo contrário, estes são os responsáveis pela manutenção do mínimo de segurança para a população. Mesmo com salários atrasados e sem as mínimas condições de trabalho, esses (as) policiais têm mantido os serviços essenciais, muitas vezes arriscando suas vidas para garantir a segurança da população. Os integrantes do Judiciário, que recebem seus salários em dia, não sabem o que é sair às ruas para combater a criminalidade, muitas vezes sem ter nem mesmo dinheiro para voltar para casa, como é o caso dos (as) policiais potiguares.  A ordem de prisão emitida pelo judiciário contra servidores que se mobilizam para ter o direito ao salário é medida de exceção.  Imoral como o auxilio moradia pago ao desembargador que determinou a medida.

Nem mesmo no STF  é consenso a tese de que os (as) Policiais Civis não devem ter o direito de greve. O mesmo Desembargador que determinou a prisão dos (as) policiais é aventado como possível candidato a governador no Rio Grande do Norte. Talvez, com essa atitude, o magistrado tenha conseguido algum espaço na imprensa que lhe garanta alguma notoriedade momentânea.

A UGEIRM se solidariza totalmente com os (as) policiais potiguares. A luta deles (as) por salários em dia é a mesma que travamos aqui no Rio Grande do Sul. Essa luta é por uma segurança pública de qualidade, que atenda e proteja a população.

Estaremos ao lado dos (as) policiais do Rio Grande do Norte, que têm a coragem de levantar a bandeira da defesa da segurança pública, mesmo com todas as ameaças, inclusive de prisão. Esperamos que os governantes do estado e o judiciário tenham o bom senso de encontrar uma solução para o pagamento dos salários desses (as) trabalhadores (as), para que eles (as) possam exercer a profissão que escolheram, garantindo, assim, a segurança do povo potiguar.