Rodrigo Wilsen da Silveira, um ano de saudade

Nesse dia 23 de junho, faz um ano que a Polícia Civil perdeu o escrivão Rodrigo Wilsen. Ao sair para o cumprimento de um Mandado de Busca e Apreensão, com sua equipe, o Agente foi morto por traficantes que estavam em um apartamento em Gravataí. A sua esposa e também policial, Raquel Biscaglia, estava na mesma operação e presenciou a tragédia. Nesse triste aniversário para toda a Polícia Civil, publicamos uma carta da Raquel, como uma forma de homenagear Rodrigo e mantermos a sua lembrança viva.

 

“Minha alma de sonhar-te, anda perdida,
Meus olhos andam cego de te ver.
Não e sequer razão do meu viver,
pois que tu és já toda a minha vida!”
(
Florbela Espanca)

Há um ano no cumprimento do dever, partíamos juntos numa jornada, que para ti seria derradeira, Rodrigo. Deus quis que fosse assim, que viestes me encantar, que viestes em uma curta e intensa jornada, cumprir teu papel de pai, de policial, de filho. De amigo, de companheiro, de homem, de amante…

A tua morena estava ao teu lado no exato momento em que um projétil assassino, disparados por mãos acostumadas ao ilícito te atingiu. Morria ali, aos meus olhos, um homem honrado, que saia da vida para fazer parte das estatísticas, mais um policial que tombou, vítima de um sistema viciado. Morria ali, um pai de família exemplar, morria ali um filho amado, um irmão adorado. Mas não morria o nosso amor, esse amor que trago no peito, que sangra ao sentir tua falta, ao lembrar da tua voz, do teu sorriso. Esse amor não morre, ele só aumenta, ele cresce na certeza de que um dia haveremos de nos reencontrar, haveremos de rir juntos novamente, haveremos de repetir palavras já tantas vezes ditas e se houver uma nova despedida, que pelo menos tenhamos chances de nos dizer um até breve, até uma dia, tudo ao seu tempo, tudo no tempo de Deus.

Neruda em seus versos, já descrevia esse amor:

“Te amo diretamente sem problemas, nem orgulhos: assim te amo porque não sei amar de outra maneira.
Se não assim desse modo em que não sou=, nem és…
Tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
Tão perto que se fecham teus olhos com meus sonhos”.

Raquel Biscaglia