Sartori/PMDB propõe divisão do IPE sem consultar os servidores

O governo do estado anunciou que vai enviar à Assembleia Legislativa um projeto que divide o IPE em duas autarquias independentes. A ideia é criar o IPE Prev, que teria foco exclusivo na previdência dos servidores estaduais, e o IPE Saúde, destinado a gerir os serviços de assistência de saúde dos servidores e beneficiários. O argumento do governo é que é necessário modernizar a gestão do Instituto de Previdência dos Servidores. Porém, de acordo com o sindicato dos servidores do IPE, a proposta do governo, além de gerar mais gastos, não vai resolver os problemas do IPE.

Para o presidente do Sindicato dos Servidores do Instituto de Previdência do Estado (Sindipe), Roberto Liebstein, “Os problemas que nos temos hoje não vão se resolver separando em duas instituições. Hoje nós já trabalhamos com essa separação, temos as pessoas especialistas de cada área com a sinergia de usar o mesmo cadastro, os mesmos programas”. Roberto completa reconhecendo que “o IPE precisa de uma reestruturação, mas não há necessidade de fazer isso separando o que é hoje. Isso poderia ser feito nas condições atuais, sem aumento de despesas, o que vai na contramão daquilo que o Governo do Estado vinha apregoando”.

Apesar de atingir todos os servidores públicos estaduais, o governador Sartori/PMDB agiu como já é hábito no seu governo: sem consultar ninguém. O anúncio pegou de surpresa até mesmo os servidores do próprio IPE.
O que não fica claro, é a real intenção do governo com essa medida. O argumento de modernização, cai por terra, a partir do momento que os próprios servidores do Instituto afirmam que a divisão não melhora a operacionalização. Entre os servidores do IPE há dúvidas sobre as reais intenções do Governo do Estado ao propor essa reestruturação. Roberto Liebstein completa com uma possibilidade: “Sabemos que o governo tem a intenção de dividir para vender ou posteriormente incluir o IPE numa negociação da dívida. Inicialmente não queremos entrar nesse debate, mas parece que o governo vai mandar esses projetos para a Assembleia em regime de urgência”, aponta.