Secretário da Segurança não comparece à audiência pública

Foto_Ortiz_audiencia_18_6_15_siteMais de 800 servidores da Segurança Pública lotaram o Teatro Dante Barone na manhã desta quinta-feira, dia 18 de junho, para acompanhar a audiência pública da Comissão de Segurança e Serviços Públicos da Assembleia Legislativa. Entre eles, centenas de policiais civis participaram da audiência que contou com representantes de todas as entidades representativas da área, dos concursados, deputados, vereadores, prefeitos e integrantes do governo.

A ausência do secretário de Segurança Pública, Wantuir Jacini, foi muito vaiada e criticada nos pronunciamentos. Durante a fala do representante da secretaria, Coronel Porto, os servidores chegaram a se virar de costas, revoltados com as estatísticas apresentadas, que não condizem com a realidade vivida no dia a dia. A falta de respostas aos inúmeros questionamentos só deixou uma certeza: a luta será nas ruas e no dia 7 de julho os servidores da Segurança vão lotar a Praça da Matriz.

Devido à gravidade da situação enfrentada no estado, evidenciada em todos os relatos, o presidente da Comissão de Segurança e Serviços Públicos, deputado Nelsinho Metalúrgico (PT), confirmou que será encaminhado requerimento à comissão convocando o secretário estadual da pasta a prestar esclarecimentos sobre a situação da Segurança no Estado.

Foto_pc_audiencia_18_6_15_siteO secretário deveria ter comparecido a audiência pública. Porém, deputados petistas informaram que o acordo feito anteriormente com a base governista no Legislativo, convidando-o a comparecer, foi rompido. “Agora, nós vamos convoca-lo”, afirmou a deputada Stela Farias, em coro com outro integrante da Comissão, o deputado Valdeci Oliveira (PT).

Nelsinho Metalúrgico afirmou que o Estado vive um clima de medo, de insegurança e de guerra civil declarada. “Números não faltam para revelar esta realidade.” Ele disse que 60% dos municípios têm menos policiais do que necessitam. Dados apresentados pelo parlamentar na audiência apontam que a taxa de homicídios na Capital chega a 42 para cada 100 mil habitantes. Por outro lado, o número de furtos de veículos, apenas este ano, atingiu a marca de 9 mil casos e há registros de 70 assaltos a bancos.

Outro dado apresentado pelo presidente da Comissão aponta que o presídio do município de Canoas, em fase final de construção, precisará de mais agentes. Por isso, indaga: “De onde virão os agentes prisionais para trabalhar neste presídio, se o governo bloqueou novas convocações de concursados e promoveu cortes drásticos na Segurança Pública?” O parlamentar questionou, ainda, os motivos de os aprovados em concursos não serem chamados, se existe falta de efetivo na Brigada Militar (16 mil policiais), na Polícia Civil (3.700 policiais) e na Susepe (2.400 agentes).

Marcha pela Segurança Pública

As entidades de classe foram unânimes em apontar os principais problemas da segurança pública, como a falta de pessoal, a não nomeação dos concursados, o corte de horas extras, promoções e diárias, além de rejeitarem fortemente a aprovação do projeto de lei complementar 206 que suspende os reajustes parcelados das categorias até 2018.

O representante da comissão dos 650 aprovados no concurso da Polícia Civil, André Gonçalves defendeu a urgência na convocação dos concursados. “Queremos um secretário que defenda a segurança e não que diga amém a tudo que o governador determine”, desabafou.

O Presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, foi um dos representantes das entidades que se manifestou, Segundo ele, é inadmissível que a Segurança Pública esteja no decreto de cortes do governo Sartori, pois é visível o crescimento da criminalidade, inclusive com a execução de crianças. Também lamentou que o secretário não tenha comparecido à audiência para dizer qual o projeto para a Segurança do estado e convocou todos os servidores para a grande Marcha pela Segurança Pública. “Chega de insegurança. Dia 7 de julho vamos lotar a Praça da Matriz”, convocou Ortiz.

Com informações da Agência PTSul