Segurança Pública parou em todo estado contra o parcelamento

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Caminhada pelo Centro de Porto Alegre

O dia 4 de agosto de 2016 ficará gravado na história do RS. Essa data será lembrada como o dia em que os trabalhadores da Segurança Pública mostraram que a sua dignidade não vale só R$ 650,00. Em um dia em que os policiais pararam em todo o Estado, o governador Sartori/PMDB recebeu o seu recado. Foram 15 horas de protestos espalhados por todo o Estado. Desde Porto Alegre, até as menores cidades do RS, os policiais cruzaram seus brações em protesto contra o parcelamento e o corte de investimentos na área de segurança pública.

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Manifestação na Secretaria Estadual de Fazenda

Notícia do parcelamento causou reação imediata

Assim que o governo anunciou um novo parcelamento dos salários e o pagamento de R$ 650 no fim do mês, as entidades da Segurança Pública prepararam a reação de imediato. Foi decidida a realização de uma manifestação em frente ao Palácio Piratini, já no dia seguinte (29), o início de uma Operação Padrão em toda Segurança Pública e a realização de uma paralisação de 15 horas no dia 4 de agosto.

A mobilização dos trabalhadores da Segurança Pública, logo de início, angariou amplo apoio nos mais variados setores. Associações de Classe, como a dos Procuradores (APERGS) e dos Juízes (AJURIS), manifestaram em Notas Oficiais o apoio à mobilização dos trabalhadores da Segurança Pública. Além disso, outros sindicatos, como o dos bancários, se colocaram ao lado da Segurança Pública. O Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais, convocou uma reunião e deliberou por se incorporar na paralisação do dia 4 de agosto. Na segunda-feira (1), a ASDEP (Associação dos Delegados de Polícia do RS), emitiu uma Nota Pública criticando o parcelamento dos salários e convocando uma Assembleia Geral para o dia 3, onde discutiria a incorporação na paralisação da Segurança Pública.

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Manifestação da Polícia em Bagé

Reação do Governo Sartori/PMDB

Diante da mobilização crescente e da demonstração de força e respaldo dos trabalhadores da Segurança Pública, o governador Sartori/PMDB preparou a reação. Na terça-feira, iniciou-se uma ofensiva midiática do governo, tentando deslegitimar as entidades da segurança pública. Notícias começaram a ser plantadas na imprensa, particularmente nos meios de comunicação do grupo RBS, aliado incondicional do governo Sartori/PMDB. Na quarta-feira (3), os principais integrantes do governo foram a público para criticar a mobilização da Segurança Pública. Em uma atitude desesperada, o governador lançou um vídeo na internet e soltou uma Nota Oficial (leia aqui), onde elencava uma gama variada de inverdades, atacando os servidores da segurança, inclusive tentando jogar a população contra os policiais, chamando a paralisação de irresponsável, além de fazer ameaças aos trabalhadores da segurança Pública. Porém, nenhuma dessas tentativas conseguiu êxito. Na própria quarta-feira (3), os Delegados de Polícia, em Assembleia, deliberaram pela adesão à paralisação e, além disso, decidiram começar uma Operação Padrão em termos muito próximos da Operação Padrão da UGEIRM, que já havia sido deliberada no início do ano.

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Passeata unificada em Santa Maria

Paralisação de 100% da Polícia Civil

A quinta-feira (4) amanheceu com as notícias de todo o estado, dando conta de uma das maiores mobilização da história da polícia civil. Em todas as cidades a paralisação foi de 100%, com os policiais indo até às delegacias e cruzando os braços. Em várias dessas cidades foram realizadas manifestações conjuntas com a educação e saúde, onde ficou demonstrado o apoio da população e, inclusive, de várias prefeituras. A indignação com o governador Sartori/PMDB não era apenas dos servidores públicos. A população também demonstrou que não aguenta mais a falta de segurança e a violência que atinge o seu cotidiano. E, diferente do que tentava passar o governador, quem sofre com a violência demonstrou saber que o responsável por isso é o governo e não os policiais. Esses são reconhecidos pelo povo, como aqueles que arriscam a sua vida, apesar de serem tratados com total desrespeito pelo governador Sartori/PMDB.

Mesmo com toda a pressão do governo e os ataques da mídia alinhada com o governo, a mobilização do dia 4 de agosto foi um verdadeiro sucesso. O espírito de luta demonstrado pelos policiais nesta quinta-feira, mostrou que o governador Sartori/PMDB deve ficar realmente preocupado. Para o presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, “a mobilização de ontem mostrou para a população quem defende a segurança pública. Os policiais foram para as ruas por todo o Rio Grande, defendendo não apenas os seus salários, mas também o direito da população à segurança. Esse direito vem sendo destruído por esse governo incompetente e mentiroso. Nós, que lidamos cotidianamente com a realidade de violência do nosso estado, sabemos que isso não é normal. Quando lemos um editorial do Jornal Zero Hora, como o de hoje, sabemos que nossa luta é justa. Esse jornal tem a desfaçatez de dizer que um esquartejamento é uma violência rotineira. Tudo isso, para tentar defender o indefensável: a política desastrosa do governador Sartori/PMDB na área de segurança pública”.