Testagem de policiais para Covid-19 é fundamental no combate à pandemia

É quase um consenso entre os especialistas em epidemiologia, que a testagem em massa é um elemento imprescindível no combate à pandemia do novo coronavírus. Sem a aplicação de testes em massa, se torna impossível traçar uma política que seja capaz de deter a propagação do vírus. Quando se fala da prevenção entre os profissionais que estão lidando diretamente com a pandemia, como os trabalhadores da segurança pública e da saúde, esse consenso é absoluto.

No nosso estado, infelizmente, o poder público ainda não se convenceu dessa necessidade. O nível de testagem, principalmente entre os profissionais da segurança pública, ainda é muito abaixo do necessário. E mesmo quando realizados, os testes são do tipo rápido, os quais, de acordo com o próprio Ministério da Saúde, apresentam uma taxa de erro de até 75% para resultados negativos. Além disso, este tipo de teste é recomendado apenas a partir do 10º dia do início dos sintomas. No caso dos (as) policiais civis, que estão trabalhando normalmente e em contato permanente com a população, a realização de testes rápidos não cumpre nenhuma função de prevenção e, ainda, leva a erros que podem ter sérias consequências. O próprio governador Eduardo Leite, em uma medida correta, utilizou o teste RT-PCR para saber se estava contaminado pelo coronavírus, na semana passada. O governo deveria ter esse mesmo cuidado com os trabalhadores da segurança pública.

Um exemplo da necessidade da utilização dos testes RT-PCR, é o caso de Alvorada, onde, após a confirmação da contaminação de um policial, foram realizados testes rápidos nos demais policiais da DP, os quais resultaram negativos. Com a continuidade de sintomas, os agentes realizaram os testes do tipo RT-PCR, por sua própria conta, que confirmaram a contaminação em outros seis colegas.

Novos casos de contágio entre policiais aumenta a necessidade da testagem

O crescimento do número de casos na categoria, aumenta a urgência de uma política concreta de testagem na Polícia Civil. Na última semana, o sindicato recebeu a informação de novos casos no DENARC, na DAME, na 2ª DPPA e na DPTUR. Esses casos se somam aos verificados em Alvorada, Canoas, no DEIC, Novo Hamburgo, 18ª DP e na Volante. Com o aumento do número de casos, os policiais ficam a cada dia mais expostos, colocando a população e, particularmente, suas famílias em risco. Visando conter a expansão da covid-19 entre os policiais, a direção do sindicato encaminhou à Secretaria de Segurança um ofício (clique aqui e veja) pedindo, entre outras providências, a realização de testes do tipo RT-PCR em todos os policiais que tenham contato com outros servidores ou familiares com covid-19, com o imediato afastamento desses policiais até o resultado do exame.

Onde realizar os testes tipo RT-PCR

Além de cobrar do poder público a garantia da realização de testes nos policiais que tiveram contato com pessoas com covid-19, a direção da UGEIRM recomenda que todos os (as) policiais, que puderem, realizem os testes para o coronavírus. O sindicato fez um levantamento dos locais, em Porto Alegre, que realizam os testes do tipo RT-PCR, alguns de forma gratuita através do convênio com o IPE. Veja abaixo a lista e os preços de cada local.

Hospital Ernesto Dornelles – Com solicitação do médico, o IPE cobre o valor total do exame. É cobrada a coparticipação da consulta no valor de R$ 31;

Hospital São Lucas – O valor da consulta, até as 19h, é de R$ 31. Após as 19h e nos finais de semana o valor da consulta é de R$40,30. O valor do exame é R$70;

Hospital Santa Casa – Com solicitação do médico, o IPE cobre o valor total do exame. É cobrada a coparticipação da consulta no valor de R$ 31;

Hospital Mãe de Deus – R$ 450,00 (não atende pelo IPE);

Hospital Conceição – Somente em pacientes internados;

Hospital Divida Providência – Somente em pacientes internados;

Hospital de Clínicas – Somente em pacientes internados.

Veja a diferença entre cada tipo de teste para covid-19

Como dito acima, existem vários tipos de testes para detecção do novo coronavírus. Esses testes têm finalidades diferentes e níveis de segurança diversos. Fizemos um breve levantamento dos principais tipos e sua utilização.

RT-PCR – Molecular – É considerado o padrão-ouro no diagnóstico da covid-19, cuja confirmação é obtida através da detecção do RNA (da molécula) do SARS-CoV-2 na amostra analisada. Se houver material genético do SARS-CoV-2 na amostra, sondas específicas detectam a sua presença e emitem um sinal, que é captado pelo equipamento em traduzido em resultado positivo. A coleta deve ser realizada preferencialmente a partir do terceiro dia após o início dos sintomas e até o décimo dia, pois ao final desse período, a quantidade de RNA tende a diminuir. Ou seja, o teste RT-PCR identifica o vírus no período em que está ativo no organismo, tornando possível aplicar a conduta médica apropriada: internação, isolamento social ou outro procedimento pertinente para o caso em questão.

Sorologia – A sorologia, diferentemente da RT-PCR, verifica a resposta imunológica do corpo em relação ao vírus. Isso é feito a partir da detecção de anticorpos em pessoas que foram expostas ao SARS-CoV-2. Nesse caso, o exame é realizado a partir da amostra de sangue do paciente. Para que o teste tenha maior sensibilidade, é recomendado que seja realizado, pelo menos, 10 dias após o início dos sintomas. Isso se deve ao fato de que produção de anticorpos no organismo só ocorre depois de um período mínimo após a exposição ao vírus. Realizar o teste de sorologia fora do período indicado pode resultar num resultado falso negativo. Em caso de resultado negativo, uma nova coleta pode ser necessária, a critério médico. É importante ressaltar, ainda, que nem todas as pessoas que têm infecção por SARS-COV-2 desenvolvem anticorpos detectáveis pelas metodologias disponíveis, principalmente aquelas que apresentam quadros com sintomas leves ou não apresentam nenhum sintoma. Desse modo, podem haver resultados negativos na sorologia mesmo em pessoas que tiveram COVID-19 confirmada por PCR.

Testes rápidos – Estão disponíveis no mercado dois tipos de testes rápidos: de antígeno (que detectam proteínas “do” na fase de atividade da infecção) e os de anticorpos (que identificam uma resposta imunológica do corpo em relação ao vírus). A vantagem desses testes seria a obtenção de resultados rápidos para a decisão da conduta. No entanto, a maioria dos testes rápidos existentes possuem sensibilidade e especificidade muito reduzidas em comparação as outras metodologias. O Ministério da Saúde aponta que os testes rápidos apresentam uma taxa de erro de 75% para resultados negativos, o que pode gerar insegurança e incerteza para interpretar um resultado negativo e determinar se o paciente em questão precisa ou não manter o isolamento social. Os testes rápidos para COVID-19 são similares aos testes de farmácia para gravidez. No caso do teste para COVID-19, faz-se uso de uma lâmina de nitrocelulose (uma espécie de papel) que reage com a amostra e apresenta uma indicação visual em caso positivo.