Trabalhadores (as) terceirizados (as) de Delegacias ficam até três meses sem receber salários

A direção da UGEIRM tem recebido várias denúncias, de que em cidades do interior e na Capital do estado, os (as) trabalhadores (as) terceirizados (as), que cuidam da limpeza das Delegacias, estão com seus salários atrasados, em até três meses. Pesquisando, descobrimos que esse não é um caso isolado. A empresa responsável por esses (as) trabalhadores (as), GFG-Recursos Humanos, já havia sido denunciada pelos mesmos problemas na Secretaria de Educação de Caxias, na Secretaria de Educação de Porto Alegre e na Universidade Federal do RS.

Em várias Delegacias do interior do estado, como Santa Maria, Dom Pedrito, Uruguaiana, Bagé, Livramento e, também, na Capital, a realidade é exatamente a mesma. Esses (as) trabalhadores (as) exercem uma função essencial para o trabalho policial. Ao cuidarem das Delegacias, eles (as) estão contribuindo de forma decisiva, para que seja prestado um bom serviço à população. Em alguns lugares, os (as) próprios (as) policiais têm se cotizado para amenizar a situação dessas pessoas.

Em Santa Maria, essa mesma empresa rompeu unilateralmente o contrato de prestação de serviço com a Polícia Civil. A empresa afirma que teve problemas financeiros devido ao atraso no repasse de verbas de contratos com o Estado, tendo que dispensar todos os trabalhadores na cidade. Uma funcionária da GFG, que foi demitida, afirma que há três meses não recebe salário e que até hoje não obteve os direitos trabalhistas, pela sua demissão. Com o rompimento do contrato, os próprios policiais têm executado os serviços de limpeza da Delegacia, função que não está entre as atribuições de um policial. A administração da Polícia Civil informou que um contrato emergencial será feito para contratação de uma nova prestadora de serviço o mais rápido possível.

O Presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, lembra que “a nossa categoria passou, durante alguns anos pela situação de atraso de salários. No nosso caso, recebíamos ainda dentro do mês, no caso desses (as) trabalhadores (as), estão há até três meses sem receber. Essa situação é desumana com essas trabalhadoras, que sustentam suas famílias com seus salários. Nós não podemos aceitar isso”. Ortiz completa, afirmando que “antes de contratar os serviços dessas empresas, o poder público deveria se prevenir. Nos contratos, deveria ter uma cláusula que obrigasse a essas empresas manter em dia os salários de seus trabalhadores, sob pena de quebra de contrato e indenização ao estado. Somente, dessa forma, atingindo as empresas no bolso, eles vão respeitar os seus trabalhadores. Em última instância, essa atitude é uma apropriação indébita do dinheiro público. Afinal, essas trabalhadoras são pagas, indiretamente, com dinheiro público e os donos dessa empresa estão se apropriando indevidamente desse dinheiro”.

A direção da UGEIRM já entrou em contato com a Chefia de Polícia, para que sejam tomadas providências, no sentido de normalizar o pagamento dos salários dessas trabalhadoras. O Sindicato continuará acompanhando a situação e cobrando atitudes concretas do poder público, que não pode se omitir diante de um tal abuso.