Mais um princípio de rebelião na carceragem do Palácio da Polícia

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Dez dias atrás a UGEIRM noticiava: “Uma tragédia está prestes a acontecer. A direção da UGEIRM esteve na 2ª DPPA e confirmou as denúncias. Mais de quinze presos se amontoam em uma cela e uma rebelião é iminente! Onde está o poder público?”. Poderíamos simplesmente repetir a matéria feita no dia 28 de novembro. Na tarde desta quarta-feira (09), mais um princípio de rebelião aconteceu nas carceragens do Palácio da Polícia. Enquanto isso, o governador Sartori/PMDB se preocupa apenas em aprovar o PLC206/2015. O comentário de um policial civil que trabalha no local ilustra bem a situação, “quando morrer alguém aqui dentro talvez eles tomem alguma providência”.

carceragem_9_12_2015BAo chegar no Palácio da Polícia o que vemos é uma combinação explosiva e um clima de tensão no ar. Os policiais que trabalham no local sabem o risco da situação. Presos amontoados em celas a poucos metros de distância de pessoas que estão ali para registrar alguma ocorrência. Celas sem nenhuma condição de abrigar presos por mais de 24 horas. Onde deveriam estar, no máximo, três presos, o que vemos são vários presos amontoados e misturados. Quando a equipe da UGEIRM esteve lá, encontrou dois presos por não pagamento de pensão alimentícia, misturado com outros presos por receptação e outros crimes diversos. Além disso, os presos estão ali sem banho, atendimento médico e banheiro. E o que é mais grave, muitas vezes integrantes de facções rivais dividem a mesma cela. Um convite para o surgimento do primeiro cadáver nas dependências do Palácio da Polícia.

Para o presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, “essa situação já passou, a muito tempo, do aceitável. Estamos, desde o início do ano, denunciando o descaso do governo Sartori/PMDB com a segurança pública. Mas agora chegamos a uma situação limite. Mesmo um governo irresponsável como esse tem que ter limites. O Ministério Público e o Judiciário precisam tomar uma atitude. A UGEIRM já ingressou com uma ação pedindo a proibição do Estado manter presos por mais de 24 horas em carceragens de delegacias. Mas, infelizmente, o judiciário não tomou nenhuma atitude e rejeitou o pedido de liminar da UGEIRM. Estamos acionando nosso jurídico para recorrer da decisão e entrar com um novo pedido de liminar. Além disso, vamos continuar denunciando para a sociedade essa situação terrível. É a vida de policiais que está em risco. Quando aparecer o primeiro cadáver, já será tarde!”