Vereador pede à CPI da Covid que investigue Melo por apoio ao ‘tratamento precoce’

Prefeito de Porto Alegre sancionou projeto de lei que prevê distribuição de medicamentos sem eficácia contra a Covid-19.

Por Sul 21

O vereador Matheus Gomes (PSOL) decidiu pedir que a CPI da Covid investigue a “política de incentivo e apologia ao tratamento precoce” feita pelo prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB). No último dia 21, o prefeito sancionou projeto de lei aprovado na Câmara que trata da responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) em fornecer medicamentos do chamado “tratamento precoce” contra os sintomas da covid-19.

O ofício foi encaminhado, nesta terça-feira (29), ao senador Randolfe Rodrigues (Rede-AM), vice-presidente da CPI da Covid. No documento, Gomes destaca que a gestão Melo, no começo do ano, solicitou 25 mil comprimidos de hidroxicloroquina ao Governo Federal. A distribuição dos remédios na rede pública foi depois suspensa pela Justiça, em ação popular ingressada pelo PSOL.

Sem conseguir reverter a decisão judicial, os vereadores Nádia Gerhard (DEM), Ramiro Rosário (PSDB), Fernanda Barth (PRTB), Mauro Pinheiro (PL) e Alexandre Bobadra (PSL) apresentaram o Projeto de Lei do Legislativo nº 090/21, aprovado no dia 10 de maio.

“É evidente a adesão do Executivo Municipal apoiado pela maioria da Câmara Municipal de Porto Alegre ao chamado ‘tratamento precoce’ ou ‘tratamento imediato’, mas, mais conhecido como ‘Kit Covid’, tendo em vista que no mesmo dia da aprovação do Projeto, a autora Vereadora Nádia (atual vice-líder do governo na Câmara de Vereadores) e o Secretário Municipal de Saúde, Mauro Sparta, participaram de uma live com a presença da médica Nise Yamaguchi para tratar sobre o tema”, relata o vereador Gomes no ofício enviado ao senador Randolfe Rodrigues.

Nise é uma notória defensora do “kit-covid” e apontada pela CPI da Covid como uma das integrantes do denominado “gabinete paralelo”, grupo que orientou o presidente Jair  Bolsonaro (sem partido) na condução das medidas de combate à pandemia.

“Tomamos essa decisão após a sanção do Prefeito, na semana passada, do Projeto de Lei que incentiva o uso desses remédios. No relatório, mostramos como a prefeitura defende, desde o primeiro dia de governo, o uso de tratamento precoce sem comprovação científica contra a covid-19”, justificou o vereador Matheus Gomes.