ZH não dá mesmo espaço para resposta do Ugeirm sobre Lei 144

A Ugeirm Sindicato encaminhou na sexta-feira, dia 8 de agosto, ao jornal Zero Hora uma resposta ao artigo de opinião publicado no dia anterior (7/8), na página 27, chamado “Uma Lei Inadequada”, de Darcy Francisco Carvalho dos Santos, contador, economista e co-autor do livro O Rio Grande tem saída?.

O referido artigo trata e distrata da lei complementar federal 144/14, conhecida como a Lei da Aposentadoria da Mulher Policial. Segundo a opinião, “quanto mais benesses na aposentadoria, menos policiais haverá”.

A resposta da escrivã de Polícia e diretora de gênero da Ugeirm, Neiva Carla Back Leite, foi publicada de forma bem reduzida na coluna do leitor desta quarta-feira, dia 13 de agosto.  Mais uma vez, o jornal Zero Hora deixa a desejar na parcialidade desejada na imprensa, demonstrando a urgente necessidade da democratização da comunicação e o fim do monopólio.

Em seu texto, a diretora da Ugeirm destaca que até a sanção da lei 144, as mulheres policiais civis, policiais federais e policiais rodoviárias federais eram as únicas trabalhadoras brasileiras que não tinham o direito ao redutor de 5 anos que toda a trabalhadora de nosso país tem em relação ao homens. “Esse direito que é previsto na Constituição Federal, desde o ano de 1988, ainda não havia sido regulamentado e portanto sua aprovação é o resgate de uma enorme dívida com as mulheres policiais”, salienta.

Segundo Neiva Carla, teorizar sobre segurança pública exige um pouco mais de dedicação e estudo. “Culpar as policiais que tinham um direito represado há 26 anos, como responsáveis pela redução do número de policiais a serviço da sociedade é tão sem lógica quando culpar o repórter pelos acidentes que noticia. Negar o direito da mulher policial quando todas as demais trabalhadoras o têm não é só desrespeitar a Carta Constitucional, é negar a história, é negar as enormes diferenças de gênero que diariamente esbofeteiam nossa cara no Brasil. Negar o direito da mulher policial é desconhecer totalmente a realidade masculinizada das instituições policiais no Brasil.”

Por fim, a policial afirma que, aventurar-se a falar sobre a vida funcional dos operadores e operadoras da segurança pública, sem dialogar com a Organização Mundial da Saúde e com a vida cruel e desgastante de um policial é como negar a própria segurança pública.