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Com falta de efetivo e sobrecarga de trabalho, somente nove policiais civis dão conta de toda demanda na delegacia de Camaquã

A Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento de Camaquã, que também é responsável pela condução de demandas e atendimentos dos municípios de Arambaré e Chuvisca, conta hoje com nove policiais civis, que atuam tanto no cartório quanto nas investigações. Para se ter ideia, as três cidades somam aproximadamente 70 mil habitantes e a média de ocorrências chega a quase 600 por mês. 

Além disso, a região não possui uma unidade especializada da Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) e, por isso, todas as investigações relacionadas ao crime organizado também são conduzidas pelos policiais da delegacia de Camaquã. 

“Infelizmente o caso da delegacia de Camaquã não é um caso isolado”, lamenta Fábio Castro, vice-presidente da UGEIRM. 

“A falta de efetivo é um mal que está presente em praticamente todas as unidades policiais do Rio Grande do Sul, levando os agentes à sobrecarga de trabalho e, em consequência, o adoecimento”. 

Nos últimos anos, a UGEIRM Sindicato vêm denunciando o alto número de exonerações de policiais civis em todo o RS. Somente em 2025, 45 agentes deixaram a instituição. Isso acontece em decorrência da falta de valorização dos profissionais, que vivem um processo de arrocho salarial grotesco promovido pelo governo de Eduardo Leite. 

Na unidade policial de Camaquã, a estrutura de pessoal já se encontra em evidente colapso operacional, dado que o efetivo disponível de somente nove agentes não consegue absorver adequadamente o volume de trabalho. A carga de trabalho suportada pela equipe tem colocado os policiais no limite, que enfrentam sérias dificuldades de dar vazão a todas as demandas investigativas e administrativas que recaem sobre a delegacia. 

“E essa situação não tem boas perspectivas de mudanças futuras”, explica Fábio. 

“A baixa procura no concurso da Polícia Civil revelou o que estamos denunciando há anos: um processo de sucateamento da instituição que vem com a desvalorização da carreira dos policiais civis. A situação é tão grave que acreditamos que os novos agentes não vão suprir a quantidade de vagas que a segurança pública do RS precisa. Vamos continuar com falta de efetivo, mesmo depois do concurso”. 

Para tentar minimizar o alto déficit de efetivo enfrentado pela instituição, que perdeu 1.330 servidores entre 2019 e 2025, em razão de aposentadorias e exonerações, a UGEIRM enviou ofício ao Estado solicitando a revisão da cláusula de barreira do atual concurso.

“Ainda podemos reverter esse quadro se o governador começar a valorizar a Polícia Civil. É inaceitável que os agentes trabalhem com essa alta sobrecarga de trabalho, em estruturas precárias e sem valorização. Se o cenário não mudar, caminharemos a passos largos para o colapso da segurança pública no RS”, finaliza Fábio.