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Enquanto Delegacias agonizam, Governo Eduardo Leite gasta dois milhões com patrocínio do Planeta Atlântida

O Diário Oficial do Estado trouxe, em sua edição de 9 de janeiro, os dados do patrocínio do governo ao Planeta Atlântida 2026. O contrato prevê o repasse de R$ 2 milhões em dinheiro público para o evento promovido pela Rede RBS. O festival, que completa 30 anos nesta edição, não é gratuito. Pelo contrário: o ingresso mais barato custa R$ 335, valor correspondente à meia-entrada para uma das noites do evento — um preço inacessível para a imensa maioria da população gaúcha.

Mesmo em um cenário de pleno funcionamento dos serviços públicos, o uso de recursos públicos para esse tipo de patrocínio já seria questionável. No entanto, a situação se torna ainda mais grave diante da realidade enfrentada pelo Rio Grande do Sul. Delegacias de Polícia operam em condições precárias, com redes elétricas deterioradas e risco permanente de incêndios. O Palácio da Polícia apresenta sérios problemas estruturais, incluindo risco de desabamento e alagamentos recorrentes em períodos de chuva. A 3ª DPPA de Porto Alegre, após ser desalojada pelas enchentes de 2024, vai completar dois anos alocada em uma sala minúscula, sem as mínimas condições de funcionamento. Em algumas unidades, policiais chegam a dividir seus locais de trabalho com ratos. Soma-se a isso a falta histórica de efetivo e as expressivas perdas salariais acumuladas pelos servidores da segurança pública.

Em um dos verões mais quentes dos últimos anos, os R$ 2 milhões destinados ao patrocínio poderiam ser utilizados, por exemplo, para a aquisição de mais de mil aparelhos de ar-condicionado. Esses equipamentos ajudariam a amenizar o calor extremo enfrentado por estudantes da rede pública e por servidores estaduais. A falta de climatização adequada já resultou, inclusive, em situações graves, como o incêndio ocorrido no prédio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), no verão de 2024, provocado pela sobrecarga da rede elétrica devido ao uso excessivo de ventiladores. Um ano após o incêndio, os servidores do DEIC, que foram alocados em um novo prédio, continuam trabalhando sem ar-condicionado.

Diante desse cenário, surgem questionamentos inevitáveis: qual o interesse do governo em patrocinar um evento promovido pela principal rede de comunicação do Estado em pleno ano eleitoral? E qual a justificativa para o uso de dinheiro público em um evento cujo acesso é restrito às camadas mais abastadas da sociedade, enquanto as opções culturais gratuitas se tornam cada vez mais escassas?

O vice-presidente da UGEIRM, Fabio Castro, destaca que “ao patrocinar o Planeta Atlântida, o governador consegue agradar à família Sirotsky e, talvez, obter um espaço privilegiado na cobertura do evento, projetando a imagem de um governador moderno e jovem, além de abastecer suas redes sociais com imagens ao lado da juventude do Rio Grande do Sul. Porém, os policiais civis, que alcançaram recordes sucessivos na redução da violência no Estado, continuarão trabalhando em ambientes insalubres, enfrentando o calor do verão gaúcho e correndo o risco de ver seus locais de trabalho atingidos por incêndios e alagamentos”.