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Janeiro Branco: precisamos falar de saúde mental

O mês de janeiro está findando, mas ainda dá tempo de falar sobre saúde mental, já que este período foi simbolicamente escolhido para dedicar um tempo a pensar sobre o tema, tão crucial e ao mesmo tempo, tão negligenciado na urgência do dia a dia.

A atividade policial, por sua natureza complexa, exige de seus trabalhadores e trabalhadoras uma gama de habilidades e de desempenhos, muitas vezes sobre-humanos. Por isso é importante os trabalhadores dessa área possuírem recursos psíquicos, rede de apoio e suporte, eixos fundamentais para enfrentar tamanhos desafios.

Sobre saúde mental no local de trabalho, precisa-se falar sobre cuidado e prevenção, mas também de condições mínimas, tais como meios, equipamentos, local adequado, tempo de repouso, aperfeiçoamento técnico, saúde física, justiça remuneratória, dentre outros.

Nesse mesmo sentido, tão importante quanto as questões acima mencionadas, é necessário considerar o ambiente de trabalho, para além das estruturas físicas, mas no que diz respeito às relações entre pares e entre subordinados e superiores hierárquicos.

Pensando sobre este impacto, que reverbera na vida das e dos policiais, a UGEIRM produziu uma pesquisa sobre assédio, no seu mais amplo espectro, e o resultado da pesquisa demonstrou o quanto certas práticas e comportamentos estão arraigadas na cultura da polícia civil e imbricadas no adoecimento psíquico dos policiais.

Pensar em saúde mental é também pensar na saúde das relações no ambiente de trabalho, buscar boas práticas e regras claras. Um ambiente saudável, é onde as pessoas são respeitadas, ouvidas, acolhidas e não cabe medo, vergonha, abusos ou qualquer outro tipo de constrangimento. As relações, sejam elas horizontais ou verticais, prescindem de fronteiras delimitadas, de uma comunicação assertiva e respeitosa, para que não haja espaço para subjetividades e mal entendidos, assim como as má condutas devem ser balizadas por legislações específicas.

A dureza da atividade policial solicita corpos e mentes em equilíbrio, pois quem cuida e protege o outro, também merece ser cuidado e protegido. É fundamental que essas e esses policiais não se sintam sós, a rede de apoio precisa atuar através de estruturas sólidas e confiáveis, protocolos simples, acessíveis e que funcionem. Ações concretas que ultrapassem governos e se tornem políticas de Estado prioritárias ganham os trabalhadores policiais e a sociedade!

*Texto por Anelise Cordeiro, diretora de interior e integrante do Coletivo de Mulheres da UGEIRM.