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Mesmo desvalorizada pelo poder público, Polícia Civil segue como uma das instituições mais confiáveis no Brasil, revela pesquisa

A Polícia Civil segue entre as instituições mais bem avaliadas pelos brasileiros, mesmo diante de um cenário de perda de efetivo e arrocho salarial no Rio Grande do Sul. É o que aponta levantamento da AtlasIntel, em parceria com o jornal ‘O Estado de S. Paulo’, que coloca a corporação como a segunda instituição com maior nível de confiança no país, atrás apenas da Polícia Federal.

De acordo com a pesquisa, 55% dos entrevistados afirmam confiar na Polícia Civil, enquanto 29% dizem não confiar. Apesar da queda de cinco pontos percentuais em relação a 2025, quando o índice de confiança chegou a 60%, a instituição mantém um dos menores níveis de desconfiança entre todas as avaliadas, abaixo inclusive da Polícia Federal, que lidera o ranking.

O levantamento foi realizado entre os dias 16 e 19 de março de 2026, com 2.090 brasileiros adultos, por meio de questionários online. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Para a UGEIRM Sindicato, os dados reforçam a credibilidade da Polícia Civil junto à população, mesmo diante de um contexto adverso enfrentado pelos profissionais da segurança pública, principalmente no estado do RS, governado há oito anos por Eduardo Leite.

Nos últimos anos, o sindicato tem alertado para o aumento no número de exonerações na corporação. Somente em 2025, 45 policiais civis deixaram seus cargos no estado. O principal fator por trás desse movimento é a falta de valorização profissional, agravada por uma política salarial defasada.

“Apesar das dificuldades estruturais e salariais, o trabalho feito pelos policiais civis continua sendo reconhecido pelos brasileiros”, destaca Fábio Castro, vice-presidente da UGEIRM. “Mas é preciso que esse reconhecimento venha também do poder público. Não podemos mais viver numa situação como estamos”.

Para se ter ideia, um Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), elaborado a pedido da UGEIRM, aponta que as perdas salariais acumuladas dos policiais civis gaúchos chegam a 25,15% ao longo dos últimos oito anos. Na prática, isso representa o equivalente a cerca de 14 salários a menos no período.

Esse cenário é resultado de uma política adotada pelo governo estadual, comandado por Leite. Falta de efetivo, sobrecarga de trabalho, sucateamento das estruturas físicas, retirada de direitos históricos, como a paridade e a integralidade da aposentadoria, ausência de critérios claros nas promoções e o fim da simetria dos comissários com os capitães da Brigada Militar compõem um quadro de desvalorização contínua da categoria.

Mesmo assim, a pesquisa nacional indica que a percepção da população segue positiva em relação à instituição, que entrega números excelentes no combate à criminalidade.